Neste Bayern vs Real Madrid analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Na Allianz Arena, o futebol foi levado ao limite. O FC Bayern Munich insistiu e acabou por cair para o lado certo. O Real Madrid voltou a fazer o seu jogo de sofrimento e eficácia, mas desta vez não chegou.
E tudo começa com um choque. Aos 1’, erro inacreditável de Neuer, daqueles que ninguém espera, e Arda Güler aproveita sem pensar duas vezes. Remate de primeira, direto, gelado. 0-1. O estádio em silêncio, o Real em vantagem e parecia que o guião estava escrito.
Mas este Bayern não aceita morrer assim. Aos 6’, resposta imediata. Cruzamento tenso, defesa completamente desorganizada e Pavlović aparece sozinho para cabecear. E aqui não há como fugir: Lunin falha.
O Bayern cresce, empurra E sufoca. Cantos atrás de cantos, pressão constante e o Real encostado. Mas no meio desse domínio, surge outro golpe. Aos 29’, livre de Güler, execução perfeita e Neuer ainda toca, mas não chega. E aqui entra a exigência: sendo Neuer, parece sempre que podia fazer mais. 1-2. Outra vez o Real na frente.
Só que há noites em que uma equipa simplesmente se recusa a cair. Aos 40’, volume alto, bola a entrar em Harry Kane e ele não falha. Domina, ajusta e dispara cruzado. Golo de avançado de topo. 2-2. O estádio explode.
E quando parece que finalmente o Bayern encontrou estabilidade, o Real volta a ser Real. Aos 43’, Vinícius Júnior atrai, espera e solta no momento perfeito para Mbappé, que ganha na velocidade e finaliza como só ele sabe. 2-3.
Na segunda parte, o jogo transforma-se numa questão de resistência. Bayern com bola e o Real Madrid a defender com aquela calma, à espera do erro. E o erro não aparece, mas as oportunidades sim.
Até que chega o momento que muda tudo. Aos 86’, Camavinga é expulso. E aqui, opinião clara: decisão duríssima. A segunda falta não é para amarelo. Mas a partir daí, o jogo inclina completamente.
E o Bayern sente. Vai com tudo. Empurra. Acredita. E aos 89’, o estádio prende a respiração. Luis Díaz recebe fora da área, tem espaço, remata, desvio em Éder Militão e a bola trai Lunin. 3-3.
E nesse momento acabou. Não só o jogo. A eliminatória.
Com o Real ainda a sonhar, Olise fecha o caixão e manda calar quem duvidou. 4-3, 6-4 no agregado e o Bayern está nas meias-finais
Pós-jogo
O Bayern apura-se para as meias-finais com caráter, sofrimento e uma exibição que justifica totalmente a passagem. O Real Madrid caiu como raramente cai: vivo até ao fim, mas desta vez, sem conseguir controlar o destino.

