Eu fico fascinado com o facto de o “nome” ainda ser das coisas que mais pesa no futebol. Em alguns casos, parece até ser mais importante do que aquilo que a pessoa realmente consegue fazer atualmente. O exemplo do Neymar é claro: continuam a pedir que vá à seleção brasileira, mesmo quando já não consegue entregar nem fisicamente nem tecnicamente, até contra equipas teoricamente mais fracas. Mas as pessoas não veem os jogos, não procuram perceber, ficam só presas à ideia de que, por ser o Neymar, tem que estar lá.
E isto não acontece só com jogadores. Hoje falo do José Mourinho, porque está a ser associado ao Newcastle United.
Eu sinceramente não entendo como ainda há quem veja no Mourinho atual capacidades fascinantes ou o coloque sequer num top 10 ou até top 25 de treinadores do mundo. Não entendo mesmo. E nem é preciso ver todos os jogos, basta olhar para os resultados, porque dizem muito sobre aquilo que ele consegue oferecer hoje.
Não lutou verdadeiramente pelo título da liga, quase nem conseguiu ir aos playoffs da Champions, e isso só não foi mais falado por causa daquele jogo em que o Trubin faz um milagre contra o Real Madrid. Caiu nos quartos da Taça de Portugal contra o Porto e não consegue ganhar jogos contra Porto e Sporting CP. Isto não é nível de topo.
Então o que é que o Newcastle está à espera de um treinador que claramente já está ultrapassado?
O Mourinho foi um dos maiores treinadores que já vi, isso nem está em discussão. Mas o ponto é: o que é que ele mostra hoje para continuar a ser candidato a este tipo de projetos? Antes falava-se da seleção portuguesa e aí ainda se entende um pouco pela nacionalidade, mas nem eu concordo com essa ideia de que a seleção tem que ter um treinador da mesma nacionalidade.
O problema é que são vários trabalhos fracos ao longo dos anos. O “Special One” já não é especial há 10, 12 anos. E é preciso saber separar as coisas: uma coisa é respeitar e admirar o que ele fez, outra completamente diferente é perceber o que ele é hoje. Tal como no caso do Neymar.
Conclusão
Não entendo como o Mourinho continua a ser opção para o topo do futebol com o que tem apresentado há tantas temporadas. Parece muito mais uma questão de nome do que de capacidade atual.
Mas viver do nome não te garante nada e tentar reviver o que ele foi há mais de uma década não faz sentido nenhum.
