Neste Inter vs Cagliari analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
No Giuseppe Meazza, a sensação era clara: a Inter tinha tudo para resolver, mas o Cagliari não veio só para cumprir calendário e durante muito tempo, conseguiu exatamente isso: complicar.
A primeira parte é mais equilibrada do que se esperava. O Cagliari entra bem, organizado num bloco de cinco, mas sem se enterrar. Fecha bem o centro, encurta espaços e obriga a Inter a procurar soluções diferentes. E aqui, mérito total: durante largos minutos, conseguiu anular aquilo que a Inter mais gosta de fazer.
A Inter tem mais bola, sim, mas sem grande agressividade. Circula, tenta infiltrar, mas falta impacto. Há uma ou outra chegada, sobretudo com Thuram a dar profundidade, mas nada realmente claro e isso diz muito da forma como o Cagliari defendeu: compacto, disciplinado, incómodo.
Só que há um detalhe importante nestes jogos: aguentar é uma coisa, resistir para sempre é outra.
E a segunda parte muda tudo. Logo na entrada, a Inter sobe o ritmo, acelera decisões e começa a encontrar espaços que não existiam antes. Aos 52’, o primeiro golpe, e é daqueles que explicam futebol. Sequência de passes rápidos, quase todos de primeira, a defesa do Cagliari a ser arrastada, até que Dimarco recebe e mete uma bola perfeita, rasteira, para o segundo poste, onde Thuram só tem que encostar. 1-0.
Quatro minutos depois, aos 56’, vem o segundo. Jogada mais confusa, mas igualmente eficaz. Parede, remate bloqueado e a bola sobra para Barella, que não hesita. Recebe, entra na área e dispara com força. Um golo de quem sente o momento e o 2-0.
E aqui, opinião direta: o jogo acaba neste momento. Não pelo resultado em si, mas pela diferença de capacidade ofensiva. O Cagliari até tenta reagir, sobe linhas, tem mais bola do que antes, mas não tem qualidade para ferir. Falta criatividade, falta presença na área, falta tudo o que é preciso quando estás a perder.
A Inter, por outro lado, faz exatamente o que uma equipa grande tem que fazer. Controla. Baixa o ritmo quando precisa, acelera quando sente espaço e vai gerindo.
Até que no fim, já em tempo de compensação, fecha com um momento de pura qualidade. Aos 90+2’, jogada trabalhada pela esquerda, cruzamento atrasado, bola a sobrar e Zieliński aparece com classe total. Remate de primeira, a bola a pingar e direto ao ângulo. Um golaço. 3-0.
Pós-jogo
A Inter dá mais um passo firme rumo ao título, sem brilhar na primeira parte, mas com autoridade total na segunda. O Cagliari mostrou organização e competência defensiva enquanto pôde, mas confirmou as limitações ofensivas quando foi obrigado a sair do seu plano.

