Neste Al Nassr vs Al Ahli analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era o jogo que começava a definir tudo. Sequência longa de vitórias de um lado, campeão asiático do outro, tensão fora de campo, provocações e dentro das quatro linhas, um duelo muito mais físico e travado do que brilhante.
A primeira parte confirma isso. Muito estudo, muitas faltas, pouco futebol fluido. O Al Nassr até entra com mais bola, mas não consegue transformar posse em perigo. Falta ligação entre setores, falta criatividade e muitas vezes a construção termina num passe longo do guarda-redes, quase em desespero. Do outro lado, o Al Ahli parece mais confortável. Não domina, mas chega melhor. Especialmente com Kessie, sempre solto na criação, com espaço para pensar e decidir. É estranho como ninguém o acompanha de forma consistente, e é daí que nascem as melhores aproximações.
Ainda assim, oportunidades claras? Quase nenhumas. Um cabeceamento após bola parada, um remate de fora e pouco mais. O jogo vai ficando picado, com faltas constantes, cartões e interrupções. Mais batalha do que espetáculo.
Quando o Al Nassr tenta sair, sente-se logo a dificuldade. João Félix muito marcado, Ronaldo sem espaço, e o meio-campo sem conseguir ligar o jogo. Há talento, mas falta fluidez. A primeira parte termina com a sensação de que o Al Ahli esteve ligeiramente melhor, mais organizado, mais perigoso, mas sem conseguir traduzir isso em algo concreto.
A segunda parte muda o tom. O Al Nassr entra melhor, mais agressivo, mais presente no meio-campo ofensivo. Não é uma transformação total, mas há uma clara subida de intensidade.
Aos 56’, surge um dos primeiros sinais. Boa combinação no ataque, a bola chega a João Félix em boa posição, remate de primeira, mas vai por cima. Era um lance claro, daqueles que podiam mudar o jogo. E a partir daí, o Al Nassr cresce. Começa a empurrar, a ganhar metros, a instalar-se mais perto da área adversária. Já não é só reação, há intenção.
O jogo continua físico, duro, com entradas fortes, discussões, tudo muito no limite. E isso também começa a pesar. Até que aos 76’, finalmente, o momento. Canto para o Al Nassr, bola bem colocada na área e Cristiano Ronaldo sobe. Mas não é só subir, é dominar o espaço. Impulsão perfeita, tempo certo e cabeceamento colocado para o segundo poste. Um golo clássico dele. 1-0.
E há aqui algo importante: o jogo pedia alguém assim. Alguém que resolvesse num detalhe.
O Al Ahli tenta reagir, mas já não tem a mesma clareza e também começa a sentir o desgaste. Menos organização, mais precipitação. Quando o jogo se aproxima do fim, surge o golpe final. Aos 90’, nova bola parada, a defesa não consegue aliviar bem, a bola sobra dentro da área para Coman que, sem hesitar, remata forte ao primeiro poste. Um remate seco, direto, impossível de defender. 2-0.
E aí, o jogo acaba. Não no apito, mas na sensação. O Al Nassr foi mais forte no momento certo.
Pós-jogo
Vitória que vale muito mais do que três pontos. Num jogo difícil, físico e equilibrado, o Al Nassr mostrou que também sabe ganhar assim. Al Nassr será campeão da Saudi Pro League.

