Neste Al Qadsiah vs Al Nassr analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Havia uma narrativa antes do jogo: sequência longa de vitórias, confiança alta, sensação de controlo total do Al Nassr, mas o futebol tem destas coisa e às vezes, no momento mais exigente, tudo quebra. O início até parece dentro do esperado. O Al Nassr com mais bola, mais presença, a tentar assumir, mas é uma posse vazia, lenta, sem profundidade. A equipa roda, troca, mas não fere.
E do outro lado está um Al Qadsiah muito mais confortável no jogo. Mais intenso, mais direto, mais perigoso sempre que acelera e isso começa a aparecer cedo, com transições rápidas e bolas nas costas que criam desconforto.
Até que aos 24’, o primeiro golpe. Erro na saída, perda de bola evitável e o Al Qadsiah não perdoa. A bola vai para a esquerda, cruzamento bem medido e Mohammed Abu Al-Shamat aparece a atacar o espaço com timing perfeito para finalizar. Um golo simples, mas que nasce de tudo o que o Al Nassr não estava a fazer bem. 1-0. E a verdade é que o golo não muda o cenário. O Al Nassr continua perdido. Meio-campo desligado, pressão inexistente e jogadores sempre um segundo atrasados.
Ainda assim, há talento. E às vezes, o talento resolve. Aos 41’, finalmente uma jogada com critério. Brozovic conduz pela esquerda, levanta a cabeça e mete um passe rasteiro tenso para dentro da área. Félix aparece solto e finaliza com força, colocado, sem hipótese. 1-1.
Um empate que não refletia propriamente o jogo… mas dava ao Al Nassr uma nova vida, só que essa vida dura pouco.
A segunda parte começa e rapidamente se percebe que o Al Qadsiah continua melhor. Mais agressivo, mais ligado e mais preparado para o erro do adversário.
E ele aparece outra vez. Aos 55’, perda de bola no meio por parte de Brozovic, transição rápida, vantagem bem jogada e a bola chega a Musab Al Juwayr dentro da área. Sem pressão, só tem de encostar. É quase um replay do primeiro golo: erro, espaço e castigo imediato. 2-1. E aqui, ao contrário do que se poderia esperar, o Al Nassr não reage. Não há revolta, não há pressão, não há intensidade. Há frustração, mas pouca resposta.
O jogo vai andando e a sensação é sempre a mesma: o Al Qadsiah está mais perto do terceiro do que o Al Nassr do empate. E aos 78’, isso confirma-se. Cruzamento rasteiro, confusão na área, corte mal feito, defesa atrapalhada e a bola sobra para Quiñones. E quando a bola sobra para um avançado destes, normalmente já acabou. Remate simples, direto, eficaz. 3-1.
E aí, sim, o jogo fecha, porque o Al Nassr não tem mais nada para dar. Nem fisicamente, nem emocionalmente, nem taticamente. Foi uma equipa irreconhecível. Lenta, desligada, sem ideias e num jogo destes isso paga-se caro.
Pós-jogo
Derrota pesada, não só pelo resultado, mas pela forma. O Al Nassr falha num dos momentos mais importantes da temporada e deixa dúvidas sérias.

