Neste Tottenham vs Everton analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Tottenham jogou com pressão, mas, na minha opinião, fez o suficiente para não passar assim tantos problemas. Podia ter sido muito mais complicado.
A equipa até entrou melhor, com mais bola, mais presença no meio-campo ofensivo, Gallagher muito ativo a aparecer entre linhas e a tentar ligar o jogo. Criou algum volume, algumas aproximações, mas sempre com aquela sensação de controlo frágil, como se a qualquer momento pudesse perder tudo.
O Everton fez exatamente o que se esperava, e até menos. Defendeu, baixou linhas, fechou espaços e, durante muito tempo, nem sequer mostrou grande vontade de sair. Não havia urgência, não havia risco. Era quase um jogo de espera. E isso, de certa forma, ajudava o Tottenham, porque o tempo passava e o resultado mantinha-se.
Aos 43’, canto para o Tottenham. A bola entra na área, Palhinha sobe e cabeceia com força. A bola bate no poste e volta para ele, Palhinha reage primeiro, remata de novo e, mesmo com a tentativa de corte em cima da linha, a bola já tinha entrado. Não é só insistência, é instinto. 1-0.
E aquele golo muda tudo, mas não como se esperava, porque em vez de libertar o Tottenham, prendeu ainda mais, e eu, sinceramente, entendo.
Na segunda parte, o Tottenham desapareceu ofensivamente. Deixou de ter bola, deixou de querer ter bola. Recuou, fechou-se, aceitou sofrer. E o Everton, mesmo sem grande urgência, começou a crescer. Não com grande qualidade, mas com presença. Mais bola, mais aproximações, mais sensação de perigo.
E aqui entra um ponto importante: isto não é necessariamente errado. Em certos contextos, defender é a decisão certa, mas há uma linha muito fina entre controlar sem bola e simplesmente sobreviver, e o Tottenham esteve mais perto da segunda.
Ainda assim, foi resistindo. Van de Ven apareceu num corte crucial dentro da área. A equipa afastava bolas, ganhava duelos, segurava como podia, mas o jogo não queria acabar.
E aos 90+8’, o momento que define tudo. Remate perigoso do Everton, daqueles que já se festejam antes de entrar. E Kinský aparece com uma defesa absurda.
E nesse instante, acabou. Não com apito. Mas com alívio, porque este não foi um jogo para ser lembrado pela qualidade. Foi para ser lembrado pela sobrevivência. O Tottenham não ganhou só um jogo: ganhou o direito de continuar na Premier League
Pós-jogo
O Tottenham mantém-se na Premier League para a próxima temporada e, após marcar, na segunda parte, fechou-se e deixou o jogo acabar. É arriscado? Sim, mas pior seria ter a posse de bola no meio-campo ofensivo, perdê-la, visto que não tem tanta qualidade para tal e sofrer vários contra-ataques


