Bruno Fernandes respondeu aos comentários do Roy Keane e, antes de ir à resposta dele, faz sentido meter em ordem o que o Roy disse e, no fundo, o quão desnecessário isto tudo foi, vindo de alguém que já sabemos como é.
O Roy Keane, nesta última semana [antes do jogo em que o Bruno bate o recorde de assistências da Premier League (21)] veio dizer que ficou furioso porque tudo girava à volta disso. Disse que era um circo e que o Bruno estava mais preocupado com números pessoais do que com a equipa. Isto foi, basicamente, o que ele disse.
E aqui é onde entra a lógica: o que é que o United ainda estava a lutar nessa altura? Nada de relevante. Então por que é que o Bruno não pode olhar também para um objetivo individual, quando o coletivo já está praticamente fechado?
Eu até percebo a ideia do Keane, já vimos equipas afundarem por causa de egos e jogadores a pensarem mais neles do que no clube, como aconteceu em certos momentos no Real Madrid, mas aplicar isso ao Bruno Fernandes é forçado.
Sim, notou-se que ele forçou mais no fim. Quando chegou perto dos 20, começou a procurar mais o passe do que o remate. Ok, isso é verdade, mas outra vez: o que é que estava em jogo? E mais importante, não é literalmente essa a função dele? Criar, assistir, meter os colegas em posição de marcar? O Keane fala como se a assistência não desse golo, como se fosse uma estatística vazia.
Em vez de elogiar? Nada. O United de Carrick fez uma boa temporada e o Bruno foi o centro de tudo, mas elogiar não interessa. Mais vale pegar num detalhe e transformar numa crítica.
E vamos ser honestos: ficar em 3º lugar é bom, sim. E é bom pelo contexto. O United vinha de um 16º lugar. Se em janeiro dissesses a um adepto que iam acabar em 3º, ninguém acreditava. Ninguém.
Isto parece mais uma daquelas críticas de alguém que ainda vive na realidade antiga do clube. O United já não é aquela máquina dominante. Ainda não tem nível para lutar todos os anos pela Premier League, mas isso não entra na cabeça de alguns ex-jogadores, e o Roy é claramente um deles.
Sobre a resposta do Bruno: simples e direta. Disse que o que o Roy falou é mentira, que aceita críticas, mas que não andou ali só a forçar assistências.
E aqui, justo. Durante a maior parte da época, as assistências vieram naturalmente, porque ele é o jogador mais influente da equipa. No fim? Sim, forçou um bocado. E qual é o problema? Nenhum. Zero. Ainda por cima quando não prejudica a equipa.
Conclusão
Críticas forçadas de alguém preso no passado, que não consegue ler a realidade atual do United. O Carrick fez um grande trabalho com o que tinha, a equipa só tinha a liga e fez o máximo. E o Bruno foi o motor disso tudo.
Boa resposta de Bruno, sem drama, sem fugir. Porque no fim, quem anda a forçar não é ele, são certos ex-jogadores que precisam destas polémicas para continuarem relevantes.

