Neste Noruega vs Suécia analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Jogo de preparação, sim, mas com muito para tirar daqui. Noruega e Suécia são duas seleções com talento interessante e margem para surpreender, mas desde o início ficou claro que estavam em patamares diferentes neste momento. A Noruega entrou com uma intensidade muito superior, mais ligada, mais agressiva e, acima de tudo, muito mais confortável com bola.
A Suécia apresentou-se com uma linha de cinco, muito passiva, sem pressão, quase à espera que o jogo lhe caísse no colo. E isso contra uma equipa que gosta de ter bola e acelerar nos momentos certos é meio caminho andado para sofrer.
O primeiro sinal forte transforma-se logo em golo aos 8’. A jogada nasce de um cruzamento mal resolvido, a bola sobra para Oscar Bobb que liga com Ryerson. O remate de Ryerson não parece nada de especial, mas sai com uma trajetória perfeita para Strand Larsen, que aparece solto e desvia de cabeça para o canto. É um golo de leitura e posicionamento, mas também de permissividade defensiva. 1-0.
A partir daí, só deu Noruega. Pressão alta, recuperações constantes e uma facilidade enorme em chegar ao último terço. Nusa começou a assumir o jogo, sempre irreverente, sempre a criar problemas. E o segundo golo acaba por ser a consequência natural disso.
Aos 18’, Berge mete a bola em Nusa dentro da área, ele recebe, puxa para dentro com qualidade e remata em arco, colocadíssimo, perto do poste mais afastado. Um grande golo, mas mais do que isso, um reflexo do que estava a ser o jogo. 2-0.
A Suécia não reagia. Tinha bola em alguns momentos, mas sem intenção, sem agressividade. Nem sequer explorava uma das suas vantagens, com um avançado alto na área. Era uma equipa apática, sem ideias, sem urgência.
E o terceiro chega aos 37’, num lance que mostra exatamente isso. Canto para a área, confusão total, ninguém ataca a bola com convicção e Strand Larsen, outra vez, aparece para cabecear praticamente sem oposição. 3-0.
A segunda parte trouxe uma Suécia ligeiramente mais subida, mas sem grande perigo real. A Noruega baixou o ritmo, controlou mais e deixou o jogo correr. Ainda assim, continuava a criar com alguma facilidade, muito por culpa de Nusa, que foi claramente o jogador mais desequilibrador.
O momento mais marcante da segunda parte para a Suécia chega aos 76’. Bola longa, Isak recebe, conduz para dentro da área, finta, puxa para dentro e remata com um arco incrível ao ângulo. Um grande golo, puro talento individual. 3-1.
Esse golo deu alguma esperança, ainda por cima com outro lance anulado pouco depois, mas nunca houve a sensação real de reviravolta. A Noruega já estava num modo de gestão, menos intensidade, mais controlo, enquanto a Suécia tinha bola, mas sem saber muito bem o que fazer com ela.
No fim, vitória clara, sem discussão, construída numa primeira parte muito forte e numa superioridade evidente em todos os momentos do jogo.
Pós-jogo
Exibição muito sólida da Noruega, sobretudo na forma como entrou no jogo. Intensidade, pressão e qualidade no último terço fizeram a diferença cedo.
Do lado da Suécia, muita passividade. Defesa pouco agressiva, pouca pressão e quase nenhuma ideia ofensiva durante grande parte do jogo.


