Neste França vs Costa do Marfim analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
França e Costa do Marfim encontraram-se num amigável de preparação, mas daqueles que não têm nada de amigável no ritmo. A França entra sempre com estatuto de candidata máxima, muito por culpa de um talento individual absurdo, mesmo que coletivamente nem sempre atinja o nível que podia. Já a Costa do Marfim, com muita qualidade sobretudo nas alas, aparece como uma seleção perigosa, capaz de discutir jogos com qualquer adversário.
O início confirmou rapidamente o padrão esperado: França com bola, instalada no meio-campo ofensivo, e a Costa do Marfim organizada num 4-4-2, à espera do momento certo. Logo nos primeiros lances, Mbappé apareceu com espaço, mas Seko Fofana respondeu com um corte decisivo. Pouco depois, o próprio Mbappé voltou a surgir na área após falha defensiva, obrigando Yahia Fofana a uma boa intervenção.
A França tinha controlo, mas nem sempre transformava isso em perigo claro. Theo Hernandez dava largura como extremo, Thuram fixava centrais e Mbappé vagueava com liberdade, mas faltava critério no último passe. Cherki ainda teve uma oportunidade clara após jogada pela esquerda, mas complicou o que parecia simples e desperdiçou.
Do outro lado, a Costa do Marfim mostrava sinais de vida sobretudo através de Adingra e Yan Diomande, explorando transições rápidas. Um erro de Tchouameni quase deu golo, mas Maignan respondeu com uma defesa de altíssimo nível.
O jogo parecia encaminhar-se para o intervalo sem golos, mas aos 45’ apareceu o momento de magia: Cherki recebeu fora da área, tirou dois adversários do caminho com enorme qualidade e colocou a bola no fundo da baliza com um remate colocado. Um golo que espelha bem o talento individual francês e que desbloqueou uma primeira parte onde a equipa já podia ter feito mais.
A segunda parte trouxe uma Costa do Marfim mais solta e mais corajosa. Já não era só resistir, era também jogar. E isso teve recompensa aos 53’: Pépé descobriu a desmarcação de Guéla Doué e o lateral apareceu com frieza na finalização para fazer o empate. Um golo bem construído, com leitura e timing perfeitos.
A França continuava com mais bola, mas já sem o mesmo controlo, enquanto a Costa do Marfim crescia em confiança, pressionava mais alto e recuperava bolas em zonas perigosas. Thuram ainda ameaçou, mas sem eficácia.
Quando o jogo já parecia encaminhar-se para um empate, surgiu o golpe final aos 84’: Doué voltou a aparecer, cruzou com precisão e Diallo atacou o espaço com qualidade para finalizar com força. 1-2.
Até ao fim, a Costa do Marfim soube gerir, segurou a bola quando necessário e mostrou maturidade para fechar o jogo. Uma vitória construída com crença e crescimento ao longo da partida, perante uma França que teve mais bola, mas menos capacidade de decidir nos momentos-chave.
Pós-jogo
A sensação que fica é clara: a França continua a ter tudo para ser candidata a ganhar qualquer competição, mas vive demasiado do talento individual e, quando esse não resolve, a equipa sente dificuldades. Já a Costa do Marfim deixou excelentes sinais: organizada, com qualidade técnica e, acima de tudo, com personalidade para crescer dentro do jogo.


