· 2 min de leituraNeste Brasil vs Marrocos analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Havia muita expectativa para este jogo e percebe-se porquê. Duas equipas com ideias claras, com qualidade, mas também com fragilidades. O Brasil, ainda à procura de identidade, e um Marrocos muito mais estável, agressivo e confortável no seu plano.
E isso viu-se desde o início. Marrocos entrou melhor, mais intenso, mais ligado ao jogo. A pressão alta causava desconforto ao Brasil e os primeiros sinais vieram cedo, com Mazraoui a criar perigo num lance individual que acabou bloqueado. Não era só um aviso, era tendência.
O Brasil demorou a reagir. Paquetá perde uma bola em zona proibida e expõe aquilo que foi visível durante largos minutos: alguma intranquilidade na construção. Ainda assim, houve um momento que podia ter mudado tudo. Vinícius pela esquerda ganha espaço, vai até à linha e cruza com qualidade para Igor Thiago, que falha completamente o contacto com a bola. Era um lance claro, daqueles que não se pode desperdiçar a este nível.
E como tantas vezes acontece, o castigo veio do outro lado. Aos 20’, recuperação e saída rápida, Brahim Díaz mete um passe perfeito na desmarcação de Saibari e o avançado, com muita frieza, pica a bola por cima de Alisson. Um gesto técnico de enorme qualidade, a mostrar exatamente o tipo de perigo que Marrocos traz: rápido, direto e eficaz. 1-0.
O jogo manteve-se dentro desse registo. Marrocos mais perigoso, mesmo com menos bola, e um Brasil a tentar encontrar-se. E encontra um momento de inspiração aos 32’. Vini Jr recebe na esquerda, encara, puxa para dentro e remata colocado para o poste mais afastado. Um golo à sua imagem, individual, num momento em que o Brasil precisava desesperadamente de algo que desbloqueasse.
A partir daí, o equilíbrio instala-se. O Brasil passa a ter mais bola, mas sem grande criatividade. Marrocos continua confortável a defender e a sair em transição. Ainda antes do intervalo, Paquetá tenta algo diferente com uma meia bicicleta dentro da área, obrigando Bounou a uma boa intervenção.
Na segunda parte, o jogo perde alguma intensidade, mas ganha em equilíbrio. O Brasil assume mais posse, tenta empurrar Marrocos, mas continua a faltar definição no último terço. Igor Thiago ainda testa Bounou, mas sem grande perigo.
As melhores situações voltam a aparecer já mais perto do fim. Vinícius volta a criar pela esquerda e encontra Raphinha dentro da área, mas o remate sai fraco, à figura. Pouco depois, Luiz Henrique tem uma oportunidade clara pela direita, mas decide mal e permite a defesa.
Do outro lado, Marrocos nunca desapareceu completamente. Sempre atento, sempre preparado para aproveitar um erro. E já nos descontos, quase surpreende, com Alisson a defender e a ter de corrigir à segunda, num lance que podia ter sido fatal.
No fim, fica um empate que aceita várias leituras. O Brasil teve mais bola, mas nunca foi verdadeiramente consistente. Marrocos mostrou novamente porque é uma equipa tão difícil de bater.
Pós-jogo
O Brasil continua a mostrar talento, mas também muitas dúvidas coletivas, sobretudo na construção e definição.
Já Marrocos reforça a ideia de equipa madura, organizada e extremamente competente no seu plano de jogo.


