· 2 min de leituraNeste África do Sul vs Canadá analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Era daqueles jogos típicos de mata-mata entre duas seleções que não encantam, mas que sabem que têm aqui uma oportunidade rara. E isso viu-se logo: mais nervo do que qualidade, mais vontade do que ideias.
O início até foi relativamente aberto. A África do Sul tentava sair com bola, o Canadá respondia com transições, e durante uns minutos parecia que podíamos ter um jogo interessante. Mas rapidamente se percebeu o padrão: muita intenção, pouca execução.
A África do Sul até teve uma ou outra chegada, muito direta, muito baseada em bolas longas, mas sempre com um problema claro na definição. Faltava qualidade no passe final, faltava calma na decisão. Era sempre quase.
Do lado do Canadá, a sensação era ligeiramente diferente. Menos bola, mas mais perigo quando chegava à frente. Jonathan David teve um desses momentos dentro da área, com espaço e tempo, mas demorou tanto a decidir que acabou por perder o lance. E isso acabou por marcar a primeira parte dele: lento, pouco inspirado, sempre um passo atrás do jogo.
Mesmo assim, o Canadá parecia mais perto. Num cruzamento de um livre lateral, Cornelius aparece completamente sozinho na pequena área, cabeceia, mas sem direção. Era o tipo de lance que, a este nível, tem que dar golo ou pelo menos obrigar a uma grande defesa.
E houve ainda um momento que resume bem o jogo: a bola nos pés de Ronwen Williams, ninguém pressiona, ninguém se mexe, e ficam ali uns segundos quase absurdos, como se o jogo tivesse pausado. Falta de agressividade de um lado, falta de ideias do outro.
Perto do intervalo, o Canadá carrega um pouco mais. Num canto, a bola sobra na pequena área, há cortes em cima da linha, remates, defesas, e a sensação clara de que o golo estava ali à beira. Mas não entrou. E isso também diz muito da eficácia das duas equipas.
Na segunda parte, o cenário não muda muito. A África do Sul tem mais bola, mas é uma posse completamente estéril. Circula, tenta, mas quase sempre longe da área, sem causar desconforto.
O Canadá, por outro lado, começa a encontrar mais espaço. Num contra-ataque, Tani Oluwaseyi aparece bem na desmarcação, remata, e Ronwen Williams faz uma grande defesa. Logo a seguir, Mbokazi salva praticamente em cima da linha. Ali sentiu-se que o jogo podia cair para um lado.
A entrada de Davies trouxe outra energia. Mais velocidade, mais capacidade de romper. E isso abriu o jogo nos minutos finais. Jonathan David ainda teve um remate com pouco ângulo que obrigou Williams a nova intervenção.
E quando o jogo já parecia a caminhar para prolongamento, aparece o momento decisivo. Aos 90+2’, cruzamento para a área, a defesa da África do Sul alivia mal, a bola fica viva na entrada da área e Eustáquio não hesita. Remate colocado, a bola ainda toca no poste antes de entrar. Um golo simples na construção, mas enorme no impacto. 0-1 e um golo histórico.
A partir daí, foi desespero de um lado e controlo do outro. E no fundo, acaba por ser justo. O Canadá não fez um grande jogo, mas foi sempre a equipa mais perigosa.
Pós-jogo
Jogo fraco, decidido num detalhe. O Canadá acaba por passar com justiça relativa, porque foi a única equipa que realmente ameaçou com alguma consistência.
Já a África do Sul despede-se com muita posse, mas zero impacto ofensivo. Ter bola não chega, e hoje isso ficou mais do que evidente.


