Espanyol 0 – 2 Barcelona

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O Derbi Catalão colocava frente a frente duas equipas em excelente momento. O Espanyol chegava embalado por cinco vitórias consecutivas na La Liga, muito sólido defensivamente, forte em casa e confiante, apesar de não vencer o Barcelona desde 2018. Do outro lado, um Barcelona líder do campeonato, com oito vitórias seguidas na liga, ataque demolidor e a melhor média de golos da competição. O contexto prometia intensidade, equilíbrio emocional e um jogo mais difícil do que os números podiam sugerir.

Desde o início, o Barcelona assumiu o controlo da posse de bola. De Jong ajudava na construção. Rashford aparecia muitas vezes por dentro, mas sem impacto real. Apesar de ter cerca de 75% de posse durante largos períodos da primeira parte, o Barcelona quase não criou perigo real. O xG manteve-se muito baixo e a maioria das aproximações vinha dos flancos, quase sempre mal definidas.

O Espanyol, mesmo com menos bola, esteve confortável no seu plano. Defendeu bem, fechou espaços interiores e forçou o Barcelona a circular sem objetividade. Não criou muito, mas esteve sempre atento a possíveis erros para sair em transição. Ferran Torres teve uma primeira parte fraca, Raphinha pouco inspirado e Yamal, mesmo sem grande exibição, era quem mais tentava desequilibrar. Ainda assim, as melhores oportunidades da primeira parte acabaram por surgir em lances isolados, com destaque para uma defesa absolutamente inacreditável de Joan García, que manteve o nulo ao intervalo. A sensação clara era de que o Espanyol tinha conseguido controlar o jogo melhor do que o Barcelona.

Na segunda parte, o Barcelona tentou reagir, mas o padrão manteve-se. Rashford saiu ao intervalo, entrou Fermín, e mesmo assim a equipa continuava sem ideias claras. De Jong tomou más decisões, Raphinha e Ferran continuaram apagados e o jogo ofensivo resumia-se, muitas vezes, a entregar a bola a Lamine Yamal e esperar que algo acontecesse. Do outro lado, o Espanyol teve pelo menos uma grande oportunidade em superioridade numérica que não aproveitou, algo que acabou por custar caro.

O dérbi tornou-se também um duelo de guarda-redes. Joan García continuava a fazer defesas absurdas, mantendo o Espanyol vivo, enquanto Dmitrović também respondia quando chamado. As substituições mudaram finalmente o jogo: Pedri entra, Eric García recua para central e o Barcelona ganha um pouco mais de critério.

Aos 86 minutos, quando o jogo parecia caminhar para um empate injusto para quem defendia tanto, Fermín aparece com inteligência. Tem espaço para rematar, mas decide melhor: passa para Dani Olmo dentro da área, que finaliza de primeira, colocado, no ângulo. Um golo de enorme qualidade, na volta de lesão. Já nos descontos, Fermín volta a ser decisivo, insiste no lance, chega à linha final e assiste Lewandowski para o 0-2.

O resultado engana. O Espanyol fez um jogo muito competente, sobretudo a nível defensivo, e esteve dentro do dérbi até ao fim. O Barcelona não foi dominante, foi eficaz. Venceu pela qualidade individual, pelas substituições certas e pela entrada decisiva de Fermín, que muda completamente o jogo com intensidade, inteligência e duas assistências. Três pontos difíceis, sofridos e longe de uma exibição convincente, mas que mantêm o Barcelona firme na liderança.

Pós-jogo

Na minha opinião, o resultado de 0-2 não reflete o que foi o jogo. O Espanyol fez um dérbi muito competente, principalmente a nível defensivo. Soube fechar os espaços, obrigou o Barcelona a circular muito a bola sem criar verdadeiro perigo e teve momentos em que podia ter castigado.
O grande nome do jogo foi Joan García, havendo debate para o jogo incrível de Fermín. Várias defesas de alto nível, absurdas mesmo, que mantiveram o jogo aberto durante muito tempo. Do outro lado, Dmitrović também fez uma boa partida.
O Barcelona foi pouco criativo durante o jogo. Dependente em excesso de Lamine Yamal e com Ferran, Raphinha e Rashford abaixo do esperado.
Fermín muda completamente o jogo: inteligência, físico, intensidade e duas assistências que resolveram o dérbi. Vitória de um Barcelona mais eficaz do que dominante.

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