Old Trafford recebia este jogo com um peso diferente. Para o Manchester United, a FA Cup já não era “mais uma competição”: era a competição. Uma eliminação aqui significava ficar reduzido apenas à Premier League. Pouco, muito pouco para um clube deste tamanho.
O United entrou bem. Muito bem até. Pressão alta, intensidade, Šeško a incomodar. Em sete minutos, Dalot e Bruno já tinham tido oportunidades claras. Era daqueles inícios que pedem um golo… mas não o tiveram.
Num lance relativamente simples, o Brighton chega à vantagem. Cruzamento, ressalto, Lammens defende, mas a bola sobra para Gruda. Golo. E imediatamente vê-se Dalot na câmara — símbolo perfeito de um United que já podia estar a ganhar e passa a correr atrás do prejuízo.
A partir daí, o jogo entra naquele território desconfortável tão típico deste United: controla a posse, cria volume, mas nunca transmite segurança. Continua a encontrar boas bolas nas costas da defesa, sobretudo para Šeško, mas a tomada de decisão falha constantemente. Cunha tenta resolver tudo sozinho, Šeško demora a decidir e Diogo Dalot parece não saber o que fazer quando se aproxima da baliza.
Ainda assim, ao intervalo, os números até enganavam: mais posse, mais remates, mais controlo territorial para o United. Mas o jogo não estava controlado.
Na segunda parte, tudo piora. O ritmo cai, os passes começam a falhar em sequência, Mason Mount passa ao lado do jogo e o Ugarte alterna bons momentos com decisões inexplicáveis.
E o castigo chega outra vez. Gruda recebe sem pressão, levanta a cabeça e Welbeck remata com força. Lei do ex, sim, mas acima de tudo lei da passividade. 0-2.
A reação vem mais pela emoção do que pela organização. Cruzamentos, bolas longas, mais coração do que cabeça. O golo de Sesko aos 85’ ainda reacende algo. érito do avançado e mérito de Bruno, mas chega tarde. A expulsão de Lacey mata o pouco controlo que ainda existia. No apito final, não há surpresa. Há frustração.
Pós-jogo
A temporada do Man United acabou hoje. Não oficialmente, mas emocionalmente, competitivamente e simbolicamente. O United começou bem, não matou, errou onde não pode errar e perdeu o controlo quando precisava de maturidade. Criou? Sim. Tentou? Sim. Mas continua incapaz de ser eficaz, estável e confiável.
Bruno Fernandes voltou a ser o farol e isso já nem é um elogio, é mais um problema estrutural. Dalot em uma noite quase desastrosa, erros técnicos constantes e decisões pobres da equipa num todo.
O United até joga, mas joga mal nos momentos decisivos. Cria, mas finaliza pouco. Controla a bola, mas não consegue controlar os jogos e já não assusta quase ninguém em jogos a eliminar.
