A final da Supertaça de Espanha não precisava de grande introdução: Barcelona vs Real Madrid, outra vez. Dois gigantes, dois momentos positivos, mas sensações bem diferentes. De um lado, um Barça em modo rolo compressor: nove vitórias seguidas, cinco clean sheets consecutivas, futebol bonito e confiança no máximo. Do outro, um Real Madrid eficaz, vencedor, mas longe de encantar — a passar mais por estatuto do que por domínio.
O 5-0 ao Athletic nas meias-finais deixou um aviso claro. Não foi só o resultado, foi a forma: Raphinha, Fermín e Bardghji em destaque, mas sobretudo uma equipa coletiva, fluida e confortável com bola. Já o Real passou o Atlético sem brilho, fazendo o mínimo indispensável. E havia ainda o elefante na sala: Vinícius Jr. — 19 jogos sem marcar, críticas por todo o lado, pressão máxima. Este jogo era o palco perfeito para responder.
O jogo começa aberto, mas rapidamente se percebe o guião. O Barcelona quer a bola, quer mandar, quer controlar. O Real aceita baixar linhas e aposta numa pressão muito específica: Frenkie de Jong. Gonzalo García e, por vezes, o próprio Vini fazem marcação quase homem a homem ao neerlandês, tentando cortar a saída limpa do Barça.
Mesmo assim, a posse é esmagadora. Aos 20 minutos, 75% para o Barcelona. O Real corre atrás da bola e vive de transições. Vini até vai dando sinais, passa por Cubarsí, entra na área, mas define mal. Do lado blaugrana, Raphinha e Yamal vão encontrando espaços, ainda que falhem na finalização.
Até que, aos 36’, o futebol faz justiça a quem manda. Raphinha recebe, ginga e marca. Golo merecido, totalmente alinhado com o que o jogo estava a mostrar.
E aqui surge a grande questão: qual é, afinal, o plano do Real? Continuar passivo, deixar o Barça ter bola… mesmo a perder? A resposta vem de forma individual. Aos 45’, Vinícius Jr. lembra toda a gente quem é. Humilha Koundé, entra na área e finaliza com classe absurda. Um golo gigante, num momento gigante, de um jogador que precisava desesperadamente disto. O Barça ainda vai à frente outra vez, com Lewandowski, num daqueles movimentos de avançado puro, a picar a bola com classe absurda. 2-1. Parecia perfeito para acabar a primeira parte. Mas… não encontra o Real Madrid.
Aos 45+6’, caos na área, bola no travessão, ressalto, confusão, e Gonzalo García empata para 2-2. Intervalo. Mentalidade absurda, típica de quem nunca se dá por vencido.
Na segunda parte, o jogo muda de ritmo. Menos posse sufocante do Barça, mais equilíbrio. O Real cresce um pouco, Rodrygo tenta aparecer e Bellingham continua desaparecido do jogo.
Mesmo assim, sente-se que o Barcelona está mais confortável. Não entra em pânico, escolhe melhor os momentos. E aos 73’, o jogo decide-se: Raphinha remata à entrada da área, escorrega, a bola desvia em Asensio e engana Courtois. 3-2. Teve sorte? Teve. Mas a sorte às vezes é fundamental.
A partir daí, o Real tenta reagir, mas já sem a mesma clareza. A expulsão de De Jong nos minutos finais ainda dá esperança, mas não chega. O Barça controla e fecha o jogo.
Pós-jogo
O Barcelona confirma aquilo que já vinha a avisar: é a equipa mais sólida e confiante do momento em Espanha. Não só ganhou, como voltou a marcar 3 golos ao Real Madrid. Futebol dominante, ideias claras, jogadores em grande forma e uma sensação constante de controlo, mesmo quando o jogo foge do guião.
Raphinha foi decisivo, Yamal desequilibrador e Pedri cerebral. Este Barça não vive apenas de talento jovem, vive de equilíbrio.
O Real Madrid sai derrotado, mas não humilhado. Vini Jr respondeu em campo, marcou um golaço e foi o jogador mais perigoso da equipa. Ainda é assim, é pouco para uma final.
Bellingham e Rodrygo apagados e o Mbappé pouco influente no pouco tempo que teve. Faltou jogo coletivo.
Mais uma Supertaça para o Barcelona e mais um aviso sério para o resto da temporada
