· 2 min de leituraNeste Palmeiras vs Internacional analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Havia um claro favoritismo do Palmeiras, como quase sempre no Brasileirão, mas o contexto pedia cautela. O Internacional vinha num momento interessante, mais confortável sem bola, mais reativo, e isso já tinha dado sinais positivos. Do outro lado, um Palmeiras líder, competente, mas nem sempre brilhante. Era o típico jogo em que o resultado podia esconder mais do que mostrar.
A primeira parte confirmou exatamente esse equilíbrio meio estranho. O Palmeiras teve mais bola, mais presença ofensiva, mas quase sempre longe de incomodar de verdade. Circulava, tentava, mexia as peças, mas faltava uma referência clara na frente. Tudo muito móvel, mas pouco objetivo. E quando a bola chegava à área, não havia ninguém para resolver.
O Internacional fez o jogo que queria. Baixou linhas, organizou-se num bloco de cinco, por vezes transformado em 5-4-1 ou até 5-2-3, e esperou. Quando saía, tentava ser direto, rápido, mas também sem grande inspiração. Ainda assim, teve um dos poucos momentos de verdadeiro perigo na primeira parte, quando Allan Patrick recebeu de frente e soltou para Bernabéi. O remate saiu muito mal, mas a jogada mostrava a ideia: poucos toques, tentar surpreender.
Do lado do Palmeiras, o lance mais claro apareceu com Arias. Cruzamento, cabeceamento, a bola sobra, ele domina e remata, mas Guillermo Maripán aparece no caminho. Se passa, é golo. Foi um raro momento em que a jogada teve sequência dentro da área. De resto, muito volume, pouca definição.
Houve também um detalhe que começou a pesar: a arbitragem. Davi de Oliveira Lacerda deixou o jogo correr demais, evitou cartões óbvios e foi falando em excesso. Isso quebra ritmo, tira intensidade e vai deixando um certo nervosismo no ar.
Na segunda parte, o roteiro não mudou tanto, mas o Palmeiras tentou acelerar. Entrou mais agressivo, subiu linhas, aumentou a pressão. Só que esbarrava sempre no mesmo problema: cruzamentos sem alvo. A bola chegava à área e ninguém. Faltava presença e faltava alguém para atacar o espaço certo.
A mudança veio aos 57’, com a entrada de Vitor Roque e Flaco López. Finalmente referências claras na frente. A ideia fazia sentido, mas a execução continuou a falhar. O Palmeiras passou a ter ainda mais posse, chegou a números altos, mas continuava sem transformar isso em perigo real.
E quando teve a chance, desperdiçou. Aos 80’, a bola sobra para Vitor Roque, muito perto da baliza. Era só bater com força, nem precisava ser perfeito. O remate sai fraco, quase sem convicção.Mesmo que houvesse dúvida de fora de jogo, a finalização não pode ser aquela.
O Internacional, por sua vez, foi fiel ao plano até ao fim. Defendeu com muita gente, baixou o ritmo quando pôde, e nunca mostrou pressa. Para eles, o empate era ouro. E quase foi ainda melhor: já nos descontos, com o guarda-redes do Palmeiras fora da baliza, tiveram uma oportunidade clara, mas demoraram demais e o remate acabou bloqueado.
No geral, o 0-0 é justo, porque nenhuma equipa jogou bem ofensivamente e foi um jogo feio, de maneira neutra.
Pós-jogo
Empate com sabor diferente para os dois lados. Para o Internacional, é um resultado enorme, sobretudo pela forma como foi construído.
Para o Palmeiras, fica a sensação de oportunidade perdida. Dominou, teve bola, mas foi previsível e pouco eficaz. E isso, num campeonato longo, pode começar a custar.


