O dérbi de Riyadh colocava frente a frente o primeiro contra o segundo, numa altura crítica da temporada. O Al Hilal chegava confiante, líder, a jogar em casa e com uma sequência impressionante de resultados: discreto no discurso, mas letal na consistência. O Al Nassr, pelo contrário, vinha pressionado, ferido por maus resultados recentes e com a obrigação clara de ganhar para não deixar o rival fugir.
Desde cedo percebeu-se que o Al Nassr não vinha apenas para sobreviver. A equipa teve mais bola na primeira parte, Cristiano Ronaldo desceu várias vezes para ajudar na construção e Coman foi o principal agitador no um-para-um. O Al Hilal, surpreendentemente, criou pouco antes do intervalo e mostrou algumas dificuldades em ligar o jogo ofensivo, apesar da qualidade individual evidente.
O golo aos 42 minutos nasce da melhor jogada coletiva da primeira parte: passe de Félix, aceleração de Coman e finalização de Cristiano. Até ao intervalo, os números confirmavam a sensação visual: mais posse, mais xG e mais controlo emocional do lado visitante.
A segunda parte muda completamente o rumo do jogo. Simakan, regressado de lesão e claramente fora do ritmo ideal, aparece mal posicionado e comete um pénalti desnecessário. O pénalti batido por Salem Al-Dawsari reequilibra o jogo, mas o verdadeiro ponto de rutura surge segundos depois, com a expulsão de Nawaf. Um erro imperdoável, violência sem necessidade em que Nawaf dá um soco a Rúben Neves, num clássico, num momento crítico, que obriga o Al Nassr a lançar um guarda-redes de 20 anos sem qualquer experiência profissional.
A partir daí, o Al Nassr recua em bloco baixo, chega a defender com cinco e seis jogadores na última linha e abdica completamente de discutir o jogo ofensivamente. O Al Hilal percebe isso, não força, não entra em desespero e passa a controlar o ritmo com maturidade.
O golo de Kanno surge como consequência natural dessa pressão contínua e mata qualquer esperança de pontuar. Nos descontos, mais um erro defensivo gera novo pénalti e Rúben Neves fecha o resultado.
Pós-jogo
O clássico saudita termina com um 3-1 pesado e decisivo para o Al Nassr. Não só pela derrota em si, mas pelo contexto: confronto direto, possibilidade de reabrir a luta pelo título e, em vez disso, uma distância que cresce para 7 pontos e começa a cheirar seriamente a sentença.
O Al Nassr até fez uma primeira parte melhor, mais organizada, mais intensa e com ideias claras. Foi recompensado com o golo de Cristiano Ronaldo, mais um, o de número 959, num clássico onde voltou a aparecer quando a equipa mais precisava. Mas tudo o que foi construído antes do intervalo foi destruído em 15 minutos de loucura na segunda parte.
O Al Hilal fez o que as grandes equipas fazem: não entrou em pânico, não acelerou sem necessidade e matou o jogo. Kanno aproveitou o caos defensivo, Rúben Dias fechou o caixão de pénalti e o líder sai ainda mais forte.
A Saudi Pro League não acabou matematicamente, mas emocionalmente e competitivamente pode ter acabado hoje para o Al Nassr
