· 2 min de leituraNeste Arsenal vs Man City analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O futebol inglês voltou oficialmente e trouxe logo uma final entre as duas melhores equipas da última temporada. O Arsenal chegava como campeão da Premier League e o Manchester City como vencedor da FA Cup, mas a grande história estava no banco. Depois de uma década com Guardiola, começava a era Maresca e, por isso, a necessidade de vencer parecia maior do lado do City. A Community Shield pode não ter o peso de uma grande taça, mas um troféu no primeiro jogo oficial pode ajudar a criar confiança para o que aí vem.
E o Arsenal entrou em campo como se tivesse pressa.
Ao primeiro minuto, mais precisamente aos 30 segundos, Calafiori apareceu onde ninguém estava à espera. Lewis-Skelly encontrou o lateral numa desmarcação entre os centrais e o italiano não desperdiçou. O Arsenal precisou de meio minuto para ficar em vantagem e obrigar Maresca a procurar respostas muito antes do previsto.
O mais interessante era perceber o posicionamento de Calafiori. Oficialmente era um lateral esquerdo, mas na prática aparecia muitas vezes como um médio ofensivo. Aos 19 minutos, isso já era demasiado evidente para ser ignorado. O City não estava a conseguir controlar aqueles movimentos interiores e isso criava desequilíbrios constantes.
A resposta do Manchester City apareceu aos 20 minutos. Foden rematou de fora da área e obrigou Raya a uma boa defesa. Na sequência da jogada, Haaland também tentou, mas falhou o alvo.
Aos 28 minutos, o Arsenal voltou a ser letal. Odegaard teve tempo para levantar a cabeça e cruzar. Tzolis apareceu nas costas de O’Reilly, desviou de cabeça e encontrou Havertz, que também de cabeça finalizou. Donnarumma ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o segundo golo. O mais impressionante era a eficácia. O Arsenal tinha apenas dois remates enquadrados e já vencia por 2-0.
Aos 34 minutos surgiu um dado curioso. Haaland tinha tocado apenas quatro vezes na bola. E isso explicava quase tudo. O problema não era o avançado. O problema era a incapacidade do City em criar situações para o encontrar.
Aos 39 minutos, Haaland voltou a estar perto do golo. Doku dominou dentro da área, assistiu o norueguês e Raya voltou a responder. No mesmo lance, Ben White fez um corte absolutamente fundamental para impedir o golo de Doku. O City até criou algum perigo no final da primeira parte, mas a sensação era de enorme fragilidade defensiva.
O golpe final apareceu aos 48 minutos. Tzolis voltou a criar perigo pela esquerda, encontrou Odegaard na área e o capitão do Arsenal mostrou toda a sua classe. Com um toque colocou a bola na frente, ficou isolado, esperou que Donnarumma caísse e depois empurrou calmamente para o 3-0.
A saída de Haaland aos 53 minutos acabou por simbolizar a noite do Manchester City. O avançado teve um jogo muito apagado e saiu sem conseguir fazer a diferença.
O mais estranho é que o City continuou a controlar a posse de bola. Aos 60 minutos já tinha 66%, mas isso não se traduzia em oportunidades. Faltavam ideias, criatividade e capacidade para desmontar a organização defensiva do Arsenal.
O jogo entrou numa fase previsível. O City instalava-se no meio-campo ofensivo, trocava passes, procurava espaços, mas não conseguia criar perigo real. Raya ainda fez uma boa defesa aos 81 minutos, mas o cenário nunca mudou.
O Arsenal foi extremamente eficaz, soube explorar os erros defensivos do adversário e venceu uma final sem nunca dar a sensação de estar verdadeiramente em perigo.
Pós-jogo
O maior vencedor da noite pode ter sido Calafiori. Marcou, apareceu constantemente em zonas ofensivas e mostrou uma versatilidade muito interessante. Do lado do City, existem muitos sinais de alerta. É apenas o primeiro jogo oficial e ninguém vai tirar grandes conclusões, mas a equipa pareceu muito distante daquilo que era habitual na era Guardiola.


