O primeiro jogo das meias-finais colocava frente a frente dois rivais de Londres em momentos muito diferentes. O Chelsea, ainda em reconstrução e sob o segundo jogo de Liam Rosenior, recebia um Arsenal confiante, líder e extremamente sólido em todas as competições. A expectativa era clara: Arsenal favorito, Chelsea obrigado a competir no erro e no contra-ataque.
E o jogo começa exatamente assim. O Arsenal entra mais ligado, mais agressivo e cedo é recompensado. Aos 7 minutos, um cruzamento cria confusão na área, Sánchez sai mal (pela perturbação criada por Saliba), Ben White aparece praticamente sozinho e faz o 1-0.
O Chelsea tenta reagir com bola, até tem mais posse do que o esperado, mas cria pouco. Enzo aparece solto fora da área, João Pedro movimenta-se bem entre linhas e Estevão mostra, mais uma vez, aquela capacidade natural de desequilíbrio no um-para-um. Ainda assim, tudo muito inconsequente. O Arsenal, mesmo sem dominar a posse, é sempre mais perigoso quando acelera, com combinações constantes pelos corredores laterais.
A primeira parte termina equilibrada em sensações, mas com vantagem justa para o Arsenal, que foi mais eficaz e mais perigoso nos momentos certos.
Na segunda parte, o Arsenal entra fortíssimo e volta a marcar cedo. Um lance simples, mas revelador: lançamento rápido, Saka ganha no duelo, White chega à linha final e Sánchez falha de forma grave. Gyökeres só tem de encostar. 2-0 e tudo parecia encaminhado.
Mas aqui entra o lado caótico do Chelsea. Garnacho entra e muda completamente o jogo. Em poucos minutos, marca, dá vida à equipa e transforma um jogo controlado num jogo aberto. O Chelsea cresce, empurra o Arsenal para trás e por momentos parece capaz de empatar.
Só que esse ímpeto dura pouco. E isso diz muito. Passados 10 minutos, a equipa perde intensidade, perde clareza e volta a mostrar dificuldades coletivas. O Arsenal percebe isso e Arteta mexe bem. Zubimendi entra e, três minutos depois, com frieza absoluta, faz o 3-1. Um golo de quem está confortável no caos.
O Chelsea ainda volta a marcar com Garnacho, num belo remate de primeira após ressalto e transforma os minutos finais num festival de transições, bolas na área e confusão total. Mas, mesmo assim, o Arsenal nunca se desorganiza por completo.
Pós-jogo
O Arsenal sai de Stamford Bridge com uma vitória enorme. 3-2 fora de casa, numa meia-final, contra um rival direto e com a frieza típica.
O Chelsea teve momentos e conseguiu algumas vezes empurrar o Arsenal para um cenário desconfortável. O Arsenal nunca perdeu a cabeça. Sofreu? Podemos dizer que sim, mas manteve sempre critério nas decisões, soube quando acelerar e, sobretudo, soube matar o jogo.
Do lado do Chelsea há lados positivos. A entrada de Garnacho muda completamente o jogo, Estevão voltou a mostrar que é um desequilibrador nato e a equipa reagiu com orgulho. Mas não chega. Falta consistência e falta capacidade de sustentar os momentos bons.
Resultado justo, duro para o Chelsea, mas totalmente coerente com o momento das duas equipas. O Arsenal leva assim vantagem para a segunda mão.
