· 2 min de leituraNeste Espanyol vs Real Madrid analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Real Madrid começou a La Liga com uma vitória, mas está longe de ter deixado uma grande primeira impressão. Mourinho regressa ao campeonato espanhol com uma equipa cheia de talento, novas caras e um problema que vai acompanhá-lo durante toda a temporada: há jogadores a mais para apenas onze lugares. E, enquanto tenta gerir esses egos, continua também a existir a questão de Rodri, que seria precisamente o médio que este plantel precisava e acabou no rival Barcelona.
A minha primeira surpresa surgiu logo no onze, com Carreras a ser escolhido para a lateral esquerda em vez de Cucurella. E Vini Jr percebeu rapidamente que a noite não seria tranquila: aos oito minutos, tocou na bola e ouviu os primeiros assobios.
O Madrid, pelo menos, marcou cedo. Aos 10′, Arda Guler bateu um livre lateral para a área e Bellingham apareceu acima do marcador para cabecear para o fundo da baliza. 0-1. Pouco depois, Guler voltou a criar perigo através da pressão e, durante toda a primeira parte, foi claramente o melhor jogador do Real Madrid, variando entre o corredor direito e a zona central, em vez de ficar preso à linha.
Só que o Madrid não controlava verdadeiramente o jogo. Tinha 62% de posse, mas o Espanyol continuava a encontrar espaços e acabou por empatar aos 30′. Javi Hernández cruzou rasteiro desde a esquerda, Calatrava fez o movimento para dentro da área e apareceu completamente livre para marcar. Carreras era quem deveria estar a acompanhar e ficou mal na fotografia. 1-1.
Vini Jr foi muito castigado, sofreu várias faltas na primeira parte e acabou também amarelado numa confusão com Calatrava. O jogo não era propriamente bonito: muitas faltas, pouco ritmo e poucas situações realmente perigosas. Para um Real Madrid diante de um adversário teoricamente inferior, era pouco. E o Espanyol ainda acabou a primeira parte por cima.
A segunda parte começou com uma oportunidade enorme. Aos 53′, Bellingham cabeceou e Dmitrovic fez uma grande defesa. A bola sobrou depois para Mbappé, que tinha 0.96 de xG naquela situação e, mesmo assim, não conseguiu sequer acertar-lhe. Um erro enorme para um jogador daquele nível.
O Espanyol continuava a jogar sem medo, defendendo num 4-4-2 e aceitando a troca de golpes. O Madrid precisava de mexer, porque não conseguia dominar durante períodos longos. E Mourinho acabou por tirar Arda Guler aos 64 minutos, precisamente quando o turco era o melhor jogador da equipa. A entrada de Yan Diomande fazia sentido, mas a saída de Guler era discutível. Havia outras peças que podiam ter saído.
O Real Madrid passou a ter mais bola, chegando aos 66% e somando 12 remates na segunda parte, mas apenas dois foram enquadrados. O domínio era mais territorial do que verdadeiro sufoco. O Espanyol já aceitava o empate e defendia cada vez mais baixo, mas o Madrid não conseguia criar aquela pressão que transforma posse em golo.
Até que apareceu Carlos Espí. Aos 90′, Diomande encontrou Mbappé, que forçou a jogada, perdeu a bola, mas Espí segurou, puxou para a direita e rematou para o fundo da baliza. 1-2. No primeiro jogo oficial pelo Real Madrid, o jovem salvou uma equipa que esteve muito longe de convencer.
Pós-jogo
O Real Madrid começa com os três pontos, que era o essencial, mas deixa muito para melhorar. Guler foi o melhor enquanto esteve em campo, o Espanyol mostrou coragem e criou problemas e a equipa de Mourinho nunca conseguiu realmente sufocar o adversário.


