Real Madrid 6 – 1 Mónaco

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O jogo aparecia envolto em desconfiança dos dois lados, mas com um peso muito maior sobre o Real Madrid. A equipa vinha de uma semana caótica, com derrotas duras, vaias no Bernabéu e uma sensação clara de instabilidade interna. O Mónaco também não vivia um bom momento, ainda à procura de identidade com Pocognoli e com uma fragilidade defensiva evidente, mas o foco estava todo no Real: ou respondia em campo, ou a crise ganhava ainda mais força.

O ambiente ficou claro logo no primeiro minuto, quando Vini Jr tocou na bola e ouviu-se vaias vindas das bancadas. Ainda assim, o Real entrou ligado, intenso e com uma ideia bem definida: explorar o lado direito com Mastantuono e Valverde. E foi exatamente daí que nasceu o primeiro golo. Mastantuono recebe um passe de três dedos de Valverde, segura a bola, puxa a marcação e devolve para o uruguaio já dentro da área. Valverde, meio torto, consegue meter a bola no espaço certo para Mbappé finalizar de primeira, colocado, sem hipóteses para o guarda-redes. Um golo simples, mas muito bem construído.

O Real Madrid continuou por cima e voltou a ameaçar com Vini e Mastantuono, enquanto o Mónaco tentava responder explorando a profundidade, aproveitando uma linha defensiva demasiado subida. Ainda assim, quem tinha mais critério com bola era claramente o Real. O segundo golo nasce numa jogada de enorme qualidade coletiva: Camavinga limpa a pressão, Arda Güler mete um passe vertical delicioso para a corrida de Vini Jr, que acelera pela esquerda e, em vez de forçar o remate, passa de trivela para Mbappé encostar. Jogada limpa, rápida e letal. Mbappé faz o bis, mas o destaque vai para a forma como o lance é pensado e executado.

Na segunda parte, o Real não baixou o ritmo. Logo aos 52 minutos, Bellingham encontra Vini Jr na área. O brasileiro sofre um toque, mantém-se em pé e, com lucidez, espera pelo momento certo para soltar a bola para Mastantuono, que manda a bola para o fundo da rede. Aqui nota-se maturidade: Vini podia ter rematado, mas escolhe a melhor solução.

Pouco depois, Vini volta a ser decisivo. Recebe na esquerda, tenta colocar a bola na área à procura de Güler, e Kehner, ao tentar cortar de carrinho, acaba por desviar para dentro da própria baliza. Mais um golo com o Vini diretamente envolvido.

O momento mais simbólico da noite chega aos 63 minutos. Vini Jr recebe fora da área, conduz, puxa para a direita, ganha espaço e solta um remate potente, colocado no ângulo. Um grande golo, não só pela execução, mas pelo peso emocional: primeiro golo dele nesta Champions, num jogo em que começou a ser vaiado e acabou a decidir.

O Mónaco ainda aproveita um erro raro do Real para reduzir. Courtois joga curto, Ceballos falha na receção, tenta resolver de costas e oferece a bola a Teze, que aceita o presente e marca. Um golo totalmente oferecido, num jogo que já estava resolvido.

Mesmo assim, o Real não tirou o pé. Já perto do fim, Ceballos recupera uma bola no meio, Valverde lança Bellingham na profundidade e o inglês, com frieza, dribla o guarda-redes e faz o sexto. Um golo que fecha uma exibição dominante e dá outra cara ao momento do clube.

Pós-jogo

Este jogo foi mais do que 3 pontos ou uma goleada larga: foi uma resposta. O Real Madrid precisava mostrar algo para além do resultado e conseguiu. Atitude, personalidade e uma ideia clara em campo.
O mais positivo está na forma como o coletivo funcionou. O Real foi paciente quando precisava, acelerou no momento certo e soube aproveitar as fragilidades de um Mónaco frágil defensivamente e pouco confiante. Houve erros, sobretudo na saída de bola, mas foram execuções num jogo que a equipa esteve quase sempre confortável.
Individualmente vários jogadores saem reforçados. Vini jr, muito pressionado fora do campo, respondeu dentro dele, envolvido constantemente e decisivo sem precisar forçar. Mbappé voltou a ser aquilo de que se espera dele nos palcos, enquanto jogadores como o Valverde, o Bellingham e o Mastantuono deram equilíbrio, intensidade e qualidade ao jogo do Real.
No fim, o 6-1 não apaga os problemas recentes, mas muda o clima. Dá confiança, devolve alguma ligação com os adeptos e, sobretudo, lembra que este Real Madrid, quando está alinhado mentalmente, continua a ter uma capacidade ofensiva assustadora.

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