O jogo tinha um enquadramento claro: tudo o que não fosse uma vitória do Al Nassr seria um problema sério. Do outro lado estava um Damac frágil, afundado na tabela, sem confiança, sem referências individuais e com um plano simples — defender baixo, sobreviver e, se desse, roubar um ponto. O Al Nassr vinha pressionado pelos maus resultados recentes e pela necessidade de não deixar o Al Hilal fugir ainda mais, o que tornava este jogo mais perigoso do que parecia no papel.
O início foi exatamente o que se esperava. O Damac montou-se num 5-4-1, sem qualquer intenção de pressionar ou ter bola. O Al Nassr assumiu a posse desde o primeiro minuto, com circulação fácil e muita presença no último terço.
E não demorou a desbloquear. Aos 5 minutos, Coman aguenta no físico pela direita, espera o momento certo e encontra Ghareeb dentro da área. O movimento é simples, mas cheio de qualidade: puxa para a esquerda, engana o defesa com um fake shot e finaliza com o pé direito. Um golo limpo, técnico, que recompensa um jogador muitas vezes esquecido e que aproveitou a oportunidade com personalidade.
O 1-0 deixou o jogo confortável, mas não resolvido. O Damac, mesmo limitado, teve duas situações claras em bolas longas e erros de leitura do Bento, que voltou a mostrar insegurança fora da baliza. Ainda assim, o controlo era do Al Nassr. João Félix aparecia muito entre linhas, combinava bem com Ângelo e Cristiano, mas pecava na decisão. Houve momentos em que faltou egoísmo, outros em que sobrou fantasia. Cristiano teve uma boa chance de cabeça após cruzamento de trivela do Félix e participou decentemente no jogo, mas o segundo golo teimava em não aparecer.
Na segunda parte, o Al Nassr entra com a mesma ideia e resolve rápido. Aos 50 minutos, João Félix recebe com espaço e mete um passe perfeito nas costas da defesa. Cristiano ataca o espaço, percebe a saída do guarda-redes e finaliza com frieza, sem força, só colocação. Um golo de veterano, de quem lê o jogo meio segundo antes dos outros. Golo 960 da carreira, artilharia da liga reforçada e, em teoria, jogo controlado.
Mas o Al Nassr tem este problema recorrente: adormece. Após o 2-0, baixa intensidade, passa a gerir em vez de matar o jogo. E paga por isso. Aos 68 minutos, num cruzamento simples para o primeiro poste, Harkass aparece completamente solto e cabeceia sem oposição. Um golo evitável, que reabre um jogo que não precisava de estar aberto.
O Damac cresce emocionalmente, o estádio acredita, mas a falta de qualidade técnica impede algo mais. O Al Nassr continua a chegar, sobretudo com Cristiano, que ainda marcou um golo anulado por fora de jogo — aliás, esteve várias vezes em posição irregular, muito por tentar atacar constantemente a profundidade.
Faltou calma no último passe e melhor leitura em alguns contra-ataques, mas o resultado acabou por não fugir. Vitória sofrida, mais do que devia, mas vitória.
Pós-jogo
O Al Nassr sai com os 3 pontos, mas não com a tranquilidade total. O jogo confirmou duas coisas: a superioridade individual continua lá e que a equipa ainda não sabe gerir as vantagens com maturidade.
Há sinais positivos na fluidez ofensiva, na forma como cria as oportunidades e na ligação entre Félix, Cristiano e os extremos. Mas defensivamente e mentalmente este Al Nassr continua vulnerável. Um jogo que podia ser resolvido cedo acabou novamente numa reta final desconfortável, algo que não combina com uma equipa que quer lutar pelo título.
Cristiano, mais uma vez, fez a diferença. Aparece quando tinha de aparecer, após várias tentativas. E isso, neste momento do Al Nassr, vale muito.
