· 2 min de leituraNeste Porto vs Benfica analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O maior jogo do futebol português juntava duas equipas que tinham começado muito bem a Liga. O Porto tinha seis vitórias em seis jogos, enquanto o Benfica tinha vencido cinco e empatado um. Num Dragão sempre complicado, era impossível apontar um favorito claro. O Benfica tinha ainda Pavlidis, artilheiro da liga, e Prestianni, que considero o melhor jogador do campeonato até agora. Estavam reunidos todos os ingredientes para um grande clássico.
E o início correspondeu. O ritmo foi altíssimo e o Benfica entrou melhor, embora sem uma diferença enorme. Aos 13′, Prestianni apareceu nas costas de Alberto Costa e cabeceou um cruzamento muito difícil, mas sem acertar na baliza.
Pouco depois, Bah recebeu com espaço e rematou para o canto, mas Rosário apareceu com um corte de cabeça absolutamente fundamental. O Porto estava com problemas a controlar o espaço entre linhas, sobretudo porque baixava para uma linha de cinco e Rosário, que devia controlar Sudakov, juntava-se aos centrais.
O Porto foi crescendo e acabou por encontrar o golo aos 31′. Um passe absurdo encontrou Gabri Veiga nas costas da defesa. O médio dominou de forma algo torta, Samuel Soares hesitou na saída e, quando finalmente decidiu avançar, já era tarde. Veiga rematou para o 1-0. Um momento de indecisão do guarda-redes acabou por custar caro ao Benfica.
Quatro minutos depois, tudo mudou novamente. Lenglet, já amarelado, teve um gesto desnecessário sobre André Silva e foi expulso. O Benfica ficava com dez e, em poucos minutos, tinha sofrido um golo e perdido um jogador.
Farioli ainda retirou Gabri Veiga, aparentemente por causa do amarelo, embora depois tenha surgido a indicação de algum desconforto físico. Se fosse apenas pelo cartão, seria uma decisão muito difícil de compreender.
Mesmo com dez, o Benfica não desapareceu. William Gomes teve uma oportunidade enorme antes do intervalo, mas Samuel Soares fez uma grande defesa. O jogo continuava longe de estar resolvido.
E o Benfica voltou mesmo a entrar no jogo. Aos 52′, Prestianni voltou a mostrar qualidade, trabalhou pela direita e encontrou Bah a atacar o espaço entre os defensores. O lateral antecipou-se a Diogo Costa e cabeceou para o 1-1. Empate com dez jogadores, numa excelente demonstração de personalidade.
Mas durou três minutos. Rosário encontrou André Silva entre linhas, o avançado tentou rematar, dominou mal e acabou por oferecer a bola a Froholdt, que não perdoou. 2-1. Foi um erro particularmente caro porque Pavlidis deixou Rosário receber com espaço e, quando tentou reagir, já era tarde.
Aos 60′, chegou o terceiro. André Silva fez um belo pivô, ganhou a linha final e cruzou rasteiro para Hwang, que se antecipou e rematou. Samuel Soares ainda parece tocar na bola, mas o remate foi praticamente à sua direção. Talvez fosse defendável por um guarda-redes de outro nível.
André Silva fez uma boa partida, claramente a melhor desde que voltou ao Porto. O contraste com os seus jogos anteriores é enorme. Saiu aos 85′, precisamente quando Samu regressou após mais de meio ano afastado.
Na reta final, o Benfica teve mais posse, mas foi uma posse estéril. O Porto manteve a linha de cinco mesmo com superioridade numérica, controlou o jogo e esperou pelo desgaste de um Benfica sem pernas. Aos 87′, os adeptos portistas já gritavam “Olé” enquanto a equipa trocava passes.
Pós-jogo
Vitória do Porto por 3-1 num clássico intenso, decidido sobretudo pela expulsão de Lenglet, mas também por uma equipa portista que soube aproveitar cada erro do adversário.


