· 2 min de leituraNeste Lens vs Sporting analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Sporting chegava a França depois de uma boa vitória frente ao Galatasaray na primeira jornada da Champions, mas este Lens não era adversário para facilitar. A equipa francesa também tinha vencido na estreia e, com um treinador novo, queria aproveitar o fator casa. Rui Borges continua a ser criticado, e com motivos para isso, mas a verdade é que o Sporting continua a ganhar. E hoje voltou a mostrar que, mesmo quando não controla o jogo, sabe aproveitar as oportunidades.
O Lens entrou muito melhor. Aos dez minutos, Ivanovic teve uma oportunidade de ouro, praticamente um tap-in, mas falhou o tempo da bola. O Sporting não conseguia ter posse, muito menos instalar-se no meio-campo ofensivo, e Kaique Pereira também não começou propriamente a transmitir segurança.
Aos cinco minutos, deixou escapar para a frente um remate pouco complicado de Thauvin. Num jogo desta importância, fica a pergunta: por que razão é titular em vez de Rui Silva?
Só que o futebol não se ganha por volume de jogo. Aos 22 minutos, Irankunda cruzou pela esquerda e Luis Suárez antecipou-se ao defesa para rematar na pequena área. Risser ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir o golo. Pode dizer-se que o guarda-redes podia ter feito melhor, porque o remate saiu praticamente à figura, mas Suárez estava muito perto. E o central de 18 anos Kyllian Antonio também não pode permitir que o colombiano apareça assim, com vantagem na pequena área. O Sporting marcou no primeiro grande momento ofensivo que teve.
O golo não mudou o cenário. O Lens continuou a carregar, com Thauvin em destaque, e Ivanovic voltou a ameaçar, desta vez com um remate que passou muito perto do poste. Aos 36 minutos, uma bela jogada individual do avançado deixou Haidara em posição de remate, mas Pereira defendeu sem grandes dificuldades.
Ao intervalo, os franceses tinham 12 remates contra cinco do Sporting e 1,23 golos esperados contra 0,56. O Lens criava mais, mas o Sporting também tinha conseguido chegar com perigo. Era uma primeira parte bem mais interessante do que o resultado sugeria.
Na segunda parte, o Sporting conseguiu criar mais dificuldades ao adversário, mesmo sem retirar completamente o controlo do jogo ao Lens. Pereira redimiu-se do início inseguro com uma grande defesa a um remate de Haidara, aos 59 minutos.
Pouco depois, João Simões também teve espaço para rematar, enquanto Édouard desperdiçou uma boa oportunidade do outro lado, ao demorar demasiado tempo dentro da área. O Lens tinha volume, mas começava a faltar-lhe eficácia.
E foi precisamente aí que o Sporting voltou a castigar. Aos 75 minutos, Derry ultrapassou o adversário e encontrou Silas Andersen, que meteu a bola entre os centrais para Doumbia. A defesa do Lens estava demasiado subida, deixou um espaço enorme nas costas e o avançado aproveitou, isolou-se e rematou rasteiro para o 0-2. Quando se procura desesperadamente o empate, este é o risco: abrir espaço para um adversário que sabe sair em transição.
O Lens ainda tentou reduzir, mas o Sporting aguentou até ao fim. Suárez saiu aos 85 minutos depois de marcar um golo histórico, tornando-se no jogador com mais golos pelo clube na Champions. O Lens teve mais remates e mais iniciativa, mas não aproveitou as oportunidades.
Pós-jogo
O Sporting aproveitou as suas, defendeu quando foi preciso e saiu de França com uma vitória por 2-0. Nem sempre é preciso dominar para ganhar. É preciso saber o que fazer quando os momentos aparecem.


