· 2 min de leituraNeste Roma vs Real Madrid analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Real Madrid chegava a Roma num momento complicado, com muito talento, mas poucas certezas dentro de campo. Do outro lado estava uma Roma de Gasperini em grande início de temporada, capaz de empatar com Inter e Como nos últimos jogos.
O favoritismo não era evidente, mas há uma coisa que continua a distinguir o Real Madrid: na Champions, mesmo quando parece perdido, nunca se pode dar este clube por morto.
E a primeira parte parecia confirmar que o Madrid teria uma noite muito complicada. Logo aos quatro minutos, Courtois teve de intervir perante um remate em curva de Hermoso, numa recuperação alta da Roma. Os italianos estavam mais fortes, circulavam melhor a bola e chegavam com mais perigo. Aos 12 minutos, Dybala combinou com Molina, recebeu de volta e rematou em esforço, com a bola a passar perto da baliza. A Roma tinha uma defesa sólida e o Real mal conseguia sair do seu meio-campo.
Aos 20 minutos, chegou o golo. Dybala recuperou a bola e a Roma construiu com paciência até Soulé encontrar De Roon à entrada da área. O médio antecipou-se ao marcador e rematou pelo meio da baliza. Courtois ficou muito mal na fotografia, num remate que tinha obrigação de controlar.
A vantagem era merecida, mas durou apenas cinco minutos. Hermoso falhou completamente a bola, Mbappé aproveitou o espaço e rematou de fora da área. A bola entrou longe do alcance de Gollini. Um golo com apenas 0,03 de golos esperados, mas é este o talento individual que o Madrid tem à disposição. Mesmo quando pouco faz, basta um erro para mudar tudo.
A Roma continuou a controlar o encontro, embora o Real tenha conseguido baixar o ritmo antes do intervalo. Ainda assim, a vantagem de 1-0 ao descanso seria perfeitamente justificável pelo que se tinha visto.
Na segunda parte, o desastre defensivo do Madrid voltou a aparecer. Aos 51 minutos, Vini tentou um passe de calcanhar no corredor central e entregou a bola ao adversário. Rodrigo Mora lançou Malen, que rematou, beneficiou de um desvio nas pernas de Valverde e viu a bola passar por cima de Courtois. Houve sorte na finalização, mas o erro de Vini naquela zona é inaceitável.
Seis minutos depois, a defesa voltou a oferecer espaço absurdo: Soulé avançou pela direita sem oposição e meteu um passe perfeito entre os centrais para Malen, que não desperdiçou no frente a frente com Courtois. O 3-1 castigava uma equipa completamente desorganizada.
E depois há decisões difíceis de compreender. Arda Güler, um dos melhores criadores do Madrid, começou no banco e só entrou aos 59 minutos. Com o jogo a fugir, o Real atacava de forma caótica, à procura de soluções individuais.
Mbappé ainda marcou aos 68, mas estava fora de jogo. A insistência ofensiva não escondia os problemas, e a equipa continuava sem encontrar uma forma consistente de desmontar a Roma.
Aos 78 minutos, Carlos Espí finalmente entrou. Cinco minutos depois, num canto, Endrick ganhou de cabeça, Gollini defendeu e Espí apareceu para aproveitar a recarga. Aos 86, foi o próprio Endrick a cabecear para o empate, novamente na sequência de um canto. Dois golos em três minutos e o jogo virou completamente. A Roma, que tinha controlado boa parte do encontro, começou a sentir o peso de uma remontada que parecia impossível.
Aos 90 minutos, mais um canto, mais confusão na área e Rüdiger apareceu para fazer o 3-4. A lei do ex, a reviravolta e mais uma noite europeia absurda do Real Madrid.
Pós-jogo
A Roma fez muito para ganhar, mas não conseguiu fechar o jogo. O Madrid voltou a expor falhas graves, só que tem uma capacidade de sobrevivência que poucas equipas conseguem igualar. Na Champions, dar-lhe espaço para acreditar pode ser fatal.


