O contexto já prometia muito. Para mim, era claramente o melhor jogo desta jornada da Europa League: Fenerbahçe em casa, cheio de nomes fortes e invicto na liga turca contra um Aston Villa que continua a ser uma das equipas mais interessantes do futebol inglês atual, mesmo não vivendo o seu pico de forma. Tudo apontava para um jogo aberto, intenso e com golos.
O Fenerbahçe entrou melhor. Teve mais bola nos primeiros minutos, tentou assumir o jogo, mas ficou claro rapidamente que posse não significava perigo. A equipa trocava passes, mas faltava critério no último terço. O Aston Villa, por outro lado, começou mais contido, quase a sentir o ambiente, mas defendia bem e esperava o momento certo para acelerar.
E quando começou a acelerar ficou perigoso. Aos poucos, o Villa passou a encontrar espaço com facilidade sempre que quebrava a primeira linha de pressão. Rogers começou a aparecer mais, Watkins a atacar profundidade e Sancho a ganhar confiança. O Fenerbahçe até tinha jogadores fortes nos duelos individuais, mas coletivamente deixava buracos enormes entre linhas.
O golo surge precisamente aí. Aos 25 minutos, o Aston Villa sai a jogar pelo corredor direito, troca rápido, Cash cruza e Yüksek tenta aliviar de cabeça. O problema é que o corte sai curto e para trás. Sancho, bem posicionado, só tem de cabecear para dentro.
O Fenerbahçe sente o golpe. Continua com bola, mas sem ideias claras. Fred tenta remates de fora, Asensio procura soluções individuais, Durán luta muito, mas quase sempre bem controlado por Mings. O Aston Villa, sempre que recupera, tem campo aberto para explorar. Num desses lances, Sancho até podia ter feito o segundo, num contra-ataque em superioridade, mas decidiu driblar quando devia finalizar. Acabou por marcar, mas o lance foi anulado por interferência da bola no árbitro.
Na segunda parte, o jogo mantém-se intenso. O Fenerbahçe entra mais agressivo, arrisca mais, especialmente após a entrada de Talisca, que dá outra qualidade ao último passe. Teve ali uma das melhores chances do jogo quando recebe dentro da área, sem marcação, mas o remate sai demasiado à figura e Bizot responde bem.
O Aston Villa também teve tudo para matar o jogo. Buendía apanha Ederson completamente fora da baliza e não aproveita. Sancho volta a falhar uma finalização clara após passe atrasado de Rogers. Cash ainda acerta no poste num remate de fora. Era um jogo onde qualquer detalhe podia mudar tudo.
O Fenerbahçe ainda chegou a marcar, mas o golo é anulado por fora de jogo a Jhon Durán. O esforço estava lá, a pressão final também, mas a eficácia não.
Nos minutos finais, o Villa baixa linhas, aceita sofrer e defende com inteligência. Škriniar foi enorme do lado turco, mas não chegou.
Pós-jogo
O Aston Villa sai de Istambul com uma vitória de enorme maturidade. Não foi brilhante, não foi dominante, mas foi competente. Soube sofrer, soube explorar os erros do adversário e teve, mesmo assim, oportunidades claras para resolver o jogo mais cedo.
O Fenerbahçe deixa uma imagem agridoce. Mostrou qualidade individual, intensidade e coragem, mas voltou a falhar onde mais custa: organização defensiva e a frieza na finalização.
Unai Emery, no jogo número 100 na Europe League, voltou a provar que sabe como poucos competir nestes contextos europeus. Não foi um Villa espetacular, mas foi um Villa adulto. E isso, nestas noites, faz toda a diferença.
