O jogo tinha peso. Terceiro contra segundo, Villarreal a viver uma La Liga acima do esperado e um Real Madrid pressionado, sabendo que uma vitória podia colocá-lo provisoriamente na liderança da La Liga. Não era um jogo qualquer e isso sentiu-se desde o início.
O Villarreal entrou sem medo. Defendeu bem, subiu linhas quando pôde e nunca deu a sensação de que vinha apenas resistir. Parejo assumiu desde cedo o papel de cérebro da equipa, aparecendo entre linhas e sendo, de longe, o jogador mais perigoso do submarino amarelo na primeira parte. O Real Madrid, por outro lado, mostrou algo que já se tinha visto noutros jogos: erros técnicos desnecessários na construção, passes falhados, decisões apressadas. Não era uma pressão sufocante do Villarreal, eram erros que não podem existir neste nível.
Arda Güler foi dos poucos a tentar agitar o jogo pelo lado direito, Mastantuono também procurou acelerar nos contra-ataques, mas tudo parecia sempre inacabado. Vini Jr esteve praticamente anulado durante quase toda a primeira parte, bem fechado, sem espaço para provocar no um contra um. O Villarreal, mesmo atacando com poucos homens, conseguiu criar mais sensação de perigo do que o Real Madrid
A primeira parte termina com números baixos, xG baixo, poucas oportunidades reais. Um jogo morno, taticamente interessante, mas longe de ser bom.
O futebol a ser poético como só ele sabe ser. De um lado, Pape Gueye, herói recente da sua seleção na final da AFCON. Do outro, Brahim Díaz no banco, o homem do pénalti falhado nessa mesma final. Destinos cruzados, histórias pesadas em apenas um jogo.
Logo aos 47 minutos, o jogo muda. Vini Jr recebe na esquerda, chama o defesa, provoca, insiste, vai até à linha final e mete a bola na área. Pape Gueye tenta cortar, mas corta mal. Mbappé, sempre atento, antecipa-se e encosta para o fundo da baliza. Não foi um golo bonito, foi um golo de quem está sempre onde tem de estar. Frio, oportunista, mortal. 20 golos na La Liga em janeiro. Um absurdo.
A partir daí, o Villarreal até tentou reagir, mas revelou um problema grave: falta de qualidade no último terço. Teve momentos em que o empate esteve ali, à distância de um detalhe. O livre ensaiado que termina no travessão de Gerard Moreno é o exemplo perfeito disso. Era o 1-1. Era o momento, mas não entrou.
O Real Madrid nunca fez um grande jogo. Aliás, convém dizer isto sem medo: o jogo do Mbappé, apesar dos dois golos, não foi bom. Tecnicamente esteve abaixo, perdeu bolas, falhou decisões em transição. Mas… decide. E no futebol de elite, isso pesa mais do que jogar bonito.
O Villarreal continuou a falhar tudo o que tentava criar. Más decisões, más finalizações, terceiro terço absolutamente pobre. Nicolas Pépé tentou, mas sem critério. Parejo ficou cada vez mais sozinho. Quando o jogo caminhava para um 0-1 curto, vem o golpe final.
Já nos descontos, Mbappé parte em transição, Pedraza chega atrasado e faz uma falta clara. Pénalti e Mbappé não treme. Golo de cavadinha. Quase provocatória. Talvez um recado indireto para Brahim Díaz? Uma brincadeira que pode ser de mau tom?
Pós-jogo
O Real Madrid não brilhou, não encantou, não esmagou, mas venceu. Venceu porque tem jogadores que resolvem os jogos mesmo quando tudo está longe do ideal. Mbappé é isso. Não precisa de estar bem 90 minutos para decidir.
O Villarreal sai deste jogo com a sensação mais frustrante possível: competiu, esteve organizado, mas foi inofensivo onde mais importa. Ter posse não chega. Se não há veneno no último terço vais ser eventualmente castiago.
Vini Jr não marcou, mas conseguiu ser decisivo no momento chave. Mbappé, mesmo num jogo tecnicamente fraco, resolve como poucos no mundo.
No fim fica claro: o Real Madrid ainda não voltou a ser uma máquina, mas é uma equipa que sabe ganhar mesmo jogando mal. E isso, goste-se ou não, é coisa de campeão.
