O Napoli não é uma equipa em colapso, mas está longe de ser uma equipa dominante. Eliminada de forma quase humilhante na Champions, confortável na Serie A mas sem ameaçar verdadeiramente o topo, o Napoli entra neste jogo pressionado mais pelo contexto do que pela classificação. Do outro lado, uma Fiorentina perdida entre treinadores, ideias e resultados, a tentar sobreviver mais do que competir.
O início do jogo deixa isso claro rapidamente. A Fiorentina entra com um plano simples: sobreviver, baixar linhas e esperar que Fagioli consiga inventar alguma coisa. Mas o Napoli não dá espaço. Elmas cola-se ao médio italiano como uma sombra, retira-lhe tempo, retira-lhe decisão, e sem Fagioli a funcionar a Fiorentina fica completamente órfã de jogo interior.
Aos 11 minutos surge o primeiro golpe. Højlund recebe de costas, faz um pivô de altíssimo nível, prende Pongracic, Vergara ataca o espaço com uma aceleração brutal e finaliza quase como uma tacada de snooker, sem dar hipótese a De Gea. O estádio empurra, acelera, cria ansiedade no adversário. O Napoli domina completamente o jogo após o golo. A Fiorentina perde-se, não sabe subir, não sabe pressionar, não sabe sequer como sofrer com organização. Højlund transforma a vida de Pongracic num inferno, Spinazzola e Di Lorenzo empurram pelos corredores e o Napoli acumula situações perigosas.
Aos 17 minutos, McTominay tenta uma bicicleta improvável. Aos 23, confusão na pequena área que não dá golo por milagre. Aos 25, bola no poste, recarga, cabeceamento e Meret faz uma defesa brilhante.
A lesão de Di Lorenzo aos 29 minutos é mais um capítulo da temporada do Napoli: curta, limitada, cheia de problemas físicos. O banco com apenas sete jogadores diz tudo. Ainda assim, o domínio mantém-se. Elmas oferece um momento de pura técnica aos 39 minutos, passando por três num espaço mínimo, mas o remate é bloqueado.
A Fiorentina, em jogo corrido, simplesmente não existe. Tudo o que cria vem de bolas paradas. Os números ao intervalo são cruéis e honestos: 0.00 xG em jogo corrido. É impossível competir assim.
Aos 49 minutos, Gutiérrez recebe na direita, Gosens defende mal o duelo, permite que o extremo puxe para dentro e o remate é perfeito. Curva, colocação, estética. Nesse momento, o jogo parecia resolvido. A Fiorentina estava perdida, sem ideias, sem confiança e sem presença ofensiva.
Aos 57 minutos, a Fiorentina reduz. Jogada simples, Dodô encontra Piccoli, Meret defende o primeiro remate, mas Solomon aparece na recarga e encosta. 2-1. Um golo que nasce mais da passividade defensiva do Napoli do que de grande construção da Fiorentina.
A Fiorentina ganha coragem, não porque esteja a jogar muito, mas porque sente o adversário a tremer. Vanoli mexe bem aos 70 minutos, lança Kean, dá outra agressividade ao ataque e passa finalmente a incomodar. Kean entra quente: bola no poste (ainda que em fora de jogo), remate perigoso pouco depois, Meret obrigado a intervir. O Napoli sofre, baixa linhas e aceita o jogo da Fiorentina.
Nos minutos finais, a Fiorentina tem uma última oportunidade clara: cruzamento de Dodô, Piccoli tenta o voleio… e falha. Era o empate, mas não entrou.
Pós-jogo
O Napoli vence e isso é o mais importante. Mantém um registo histórico de invencibilidade no Diego Armando Maradona, mostra capacidade para sofrer e não perde pontos depois de estar em vantagem. O jogo expõe algumas fragilidades: falta de eficácia e um plantel curto, muito curto (também devido a lesões).
Højlund fez um bom jogo, Vergara foi decisivo e McTominay voltou a ser sólido, intenso e inteligente. Elmas foi taticamente irrepreensível.
A Fiorentina sai derrotada, mas com sinais de vida na segunda parte. Muito pouco em jogo corrido na primeira, uma melhor reação na segunda, com boas substituições, mas continua a faltar qualidade a decidir.
No fundo, foi um jogo que resume bem a temporada das duas equipas: um Napoli competente, mas longe de brilhante e uma Fiorentina esforçada, mas estruturalmente limitada.
