Al Hilal 0 – 0 Al Ahli

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O contexto tornava o jogo quase inevitavelmente tenso. Al Hilal e Al Ahli entravam em campo a discutir a liderança da Saudi Pro League, separados por poucos pontos e com o Al Nassr à espreita. O Hilal, que até há duas jornadas estava isolado no topo, vinha de dois empates consecutivos e sentia, talvez pela primeira vez na temporada, o peso de poder perder o controlo da liga. Do outro lado, um Al Ahli confiante, com oito vitórias seguidas, a melhor defesa do campeonato e Ivan Toney como referência máxima do ataque.

O início refletiu exatamente isso: tensão. Jogo agressivo, carrinhos duros, muito contacto físico e um árbitro permissivo, daqueles que prefere não intervir demasiado. O Al Ahli começou melhor com bola, mais confortável na circulação, mas rapidamente se percebeu que essa posse não se traduzia em perigo real. Faltava clareza no último terço.

O Al Hilal, por sua vez, mostrava uma postura curiosa. Não pressionava alto de forma sufocante, não acelerava demasiado e parecia gerir o jogo à espera de um erro do adversário. Quando recuperava a bola e tinha espaço para transitar, falhava quase sempre na penúltima decisão. E aí entra um nome que marcou negativamente a primeira parte: Darwin Núñez. Aos 22 minutos, o Hilal tem um contra-ataque claro, 3 para 2, com Darwin como portador da bola. O passe sai errado.

Do lado do Al Ahli, a ideia parecia passar demasiado pela velocidade de Galeno. Muitas bolas longas, poucos passes de qualidade para explorar essa profundidade. Ivan Toney, o artilheiro da liga, era praticamente um espectador. Não por demérito próprio, mas porque a bola raramente chegava em condições. Quando chegou, como aos 36 minutos, faltou precisão no último passe.

A primeira parte foi pobre. Equilibrada em posse, quase nula em ocasiões claras. Os números confirmavam a sensação: xG baixíssimo, poucos remates enquadrados e muito jogo longe das áreas. Um clássico jogo grande… sem grande futebol.

A segunda parte não mudou drasticamente o cenário. Teve mais transições, mais sensação de “lá e cá”, mas continuou a faltar qualidade perto da baliza. Bono e Mendy passaram largos minutos praticamente sem intervir. O jogo, para quem assistia de fora, tornava-se cada vez mais arrastado, estranho até para os padrões normalmente entretidos da Saudi Pro League.

Roger Ibañez foi dos poucos a quebrar a monotonia, com uma arrancada impressionante desde o seu meio-campo até perto da área adversária, mas o lance acabou bloqueado. Mahrez tentou de bola parada, sem sucesso. E Darwin voltou a ser símbolo da frustração do Hilal: mais um passe falhado para Malcom num possível contra-ataque que podia ter mudado o jogo.

O Al Ahli também teve a sua grande oportunidade. Aos 75 minutos, cruzamento perfeito, Ibañez aparece completamente solto na pequena área… e cabeceia para fora de forma quase inexplicável. Um resumo perfeito do jogo: quando havia espaço, faltava execução.

O momento mais emocional da partida surge aos 84 minutos. Rúben Neves mete um passe quase cirúrgico, Malcom ganha na desmarcação, assiste Salem Al-Dawsari e o golo aparece… mas é anulado por fora de jogo. Decisão correta, mas dolorosa para um Hilal que, naquele momento, sentia que finalmente tinha encontrado o desequilíbrio.

Já nos descontos, Ali Majrashi vê o segundo amarelo após um carrinho duro sobre Theo Hernández e é expulso, fechando um jogo nervoso, pouco inspirado e longe do nível que se espera de um duelo pelo topo da liga.

Pós-jogo

O 0-0 acaba por ser justo, ainda que dececionante. Nenhuma das equipas mereceu verdadeiramente vencer. O Al Hilal soma o terceiro empate consecutivo e, embora continue líder, começa a dar sinais claros de desgaste ofensivo e de dependência excessiva do corredor esquerdo. Darwin Núñez saiu como uma das figuras mais negativas da noite, não por falhar golos, mas por falhar quase tudo o que podia dar fluidez ao ataque.
O Al Ahli confirmou a solidez defensiva que o trouxe até aqui, mas também mostrou que, contra equipas do mesmo nível, ainda lhe falta criatividade. Defender bem não chega sempre.
Foi um jogo grande no nome, enorme na tabela, mas pequeno no futebol.

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