Liverpool 1 – 2 Man City

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Houve um tempo em que Liverpool vs Manchester City era mais do que um grande jogo: era o jogo que decidia épocas. Confronto de titãs, pontos que valiam títulos, equipas no auge absoluto. Hoje, o peso histórico continua lá, mas o contexto é outro. Nenhuma das duas vive o pico que já viveu e isso mudava o sabor do encontro.

O City chegava em 2º, mas longe do Arsenal e com uma sensação coletiva de equipa menos avassaladora. O Liverpool, 6º, jogava com urgência pura e perder pontos em fevereiro podia custar a vaga na Champions.

Primeiro minuto, primeira grande ocasião: Bernardo descobre Haaland na desmarcação, Alisson salva, a bola ainda sobra mas o norueguês não consegue finalizar. Era o aviso inicial de uma primeira parte quase toda pintada de azul. O City teve mais bola, mais remates, mais presença ofensiva. Marmoush teve um 1v1 que atirou para fora, lance que provavelmente seria anulado, mas que não deixa de ser falhanço claro. A pressão alta também funcionava: recuperações no último terço, remates rápidos e um Liverpool encostado.

Os números ao intervalo explicavam tudo sem precisar de narrativa: 10 remates do City contra 3 do Liverpool, xG amplamente superior, domínio territorial evidente.

O City controlava onde o jogo era jogado. Quando o Liverpool saía pelos centrais, era “convidado” a ir para as laterais, longe do corredor interior onde realmente cria perigo. Salah, mais aberto e menos explosivo do que em outros tempos, tinha dificuldade em desequilibrar com constância. Foi uma primeira parte de superioridade clara do City. Não brilhante, mas autoritária.

Só que o jogo virou completamente no segundo tempo. O Liverpool entrou com outra alma. Linhas mais altas, pressão mais agressiva, mais gente no último terço. Em poucos minutos criou mais perigo do que em toda a primeira parte: remate de Szoboszlai, cruzamento venenoso de Salah para Ekitiké que devia ter dado golo e nova chance de Gakpo logo a seguir.

O City, pelo contrário, repetia um padrão que tem sido recorrente esta época: quebra física e emocional na segunda parte. Baixou intensidade, perdeu controlo da posse e começou a defender mais do que queria

Aos 74 minutos, o momento que parecia decidir tudo. Livre muito distante, daqueles que pedem mais esperança do que convicção. Szoboszlai não quis saber. Remate fortíssimo, com efeito, bola bate no poste e entra. Um golaço absurdo, daqueles que levantam estádio, banco e até quem está neutro em casa (como eu era o meu caso).

A equipa de Guardiola reagiu como equipa grande. Subiu linhas, empurrou o Liverpool para trás e começou a empilhar cruzamentos e presença na área. Aos 84’, chega o empate: cruzamento de Cherki, desvio, bola sobra, Haaland ganha no ar e Bernardo Silva finaliza.

Já nos descontos, Marmoush é derrubado por Alisson. Pénalti e Haaland converte aos 90+3′. Frieza total.

Os minutos finais ainda tiveram caos puro: contra-ataques, defesa gigante de Donnarumma, golo anulado de Cherki com Alisson fora da baliza, VAR, vermelho para Szoboszlai… mas o marcador já não mexeu mais.

Pós-jogo

Vitória que diz muito sobre o momento das duas equipas. O Liverpool mostrou um enorme caráter na segunda parte. Conseguiu virar a dinâmica emocional do jogo, encostar o City e esteve perto de ganhar. Mas também mostrou a fragilidade que o persegue esta época: dificuldade em sustentar o controlo emocional até ao fim contra equipas de topo.
Do lado do City, primeira parte forte, domínio claro e uma quebra na segunda parte. A diferença é que, desta vez, teve maturidade competitiva para sobreviver ao pior momento e ainda sair com a vitória.
Bernardo voltou a aparecer em momento decisivo, Haaland marca de pénalti e o Guardiola, mesmo com um City menos brilhante, mostrou que a equipa continua a saber ganhar jogos grandes.
No fundo já não é um duelo que decide títulos entre ambos como antes, mas continua a ser daqueles que, mesmo longe do auge, nunca deixa de pesar.

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