O jogo tinha peso de tabela e peso emocional. O Real Madrid entrava pressionado pela perseguição ao Barcelona e sabia que vencer significava, ainda que à condição, saltar para a liderança. Não era só ganhar, era meter pressão psicológica no rival direto. E a entrada foi praticamente perfeita.
Sem Mbappé no onze, a dupla ofensiva com Vini Júnior e Gonzalo García trouxe mobilidade e imprevisibilidade. Logo cedo, o jovem avançado aproveita um cruzamento milimétrico de Arnold e abre o marcador com frieza: daqueles golos de avançado puro, mais de timing do que de força.
O jogo não ficou fechado aí. A Real Sociedad respondeu bem, mostrou personalidade e chega ao empate de penálti por Oyarzabal. Durante alguns minutos houve sensação de jogo partido, com transições rápidas e espaços dos dois lados.
Mas foi aí que o Madrid acelerou a sério. Vinícius começa a desmontar o lado direito defensivo adversário, ganha penálti e faz o 2-1. Pouco depois, surge o momento técnico da primeira parte: alverde recebe à entrada da área, ajeita sem pressão e mete uma bola colocada que praticamente matou a estabilidade emocional do jogo ainda antes do intervalo.
Mais do que a vantagem, o que se via era conforto. O Madrid defendia em 4-4-2 sem bola, mas quando recuperava era sempre vertical: passes longos, ataque ao espaço, exatamente o tipo de jogo que potencia Vini Jr.
A segunda parte começa e a história repete-se: Vinícius volta a ganhar penálti… e volta a marcar. 4-1 e jogo resolvido cedo.
partir daí, foi gestão. A Sociedad teve mais bola (algo natural para quem está a perder por três) mas esbarrou sempre em dois fatores: pouca agressividade defensiva quando precisava recuperar e pouca eficácia quando chegava.
Courtois ainda foi chamado em dois lances importantes, evitando que o resultado encurtasse e desse alguma narrativa ao jogo, mas no geral o Madrid controlou sem sofrer verdadeiramente.
Pós-jogo
Vitória clara, pesada no marcador e importante no contexto da liga. O Real Madrid cumpre o objetivo principal: ganha, pressiona o Barcelona e coloca a responsabilidade do lado rival.
Destaques óbvios para Vini Jr, absolutamente imparável, dois pénaltis ganhos e dois convertidos e para Valverde, que voltou a mostrar o impacto que tem quando aparece em zonas de finalização. Gonzalo García também deixa sinais muito positivos.
Do lado do Real Sociedad houve coragem com a bola, mas demasiadas fragilidades defensivas para discutir o resultado. Sofrer quatro em Madrid pode acontecer, mas a forma como sofreu, com tanto espaço e tantos erros individuais pesa.
No fim, um jogo que parece equilibrado no pré-jogo, mas que em campo foi resolvido com eficácia, profundidade e um Vinícius em modo pesadelo para qualquer defesa.
