Jogo com contexto grande. Luta tripla pelo título na Saudi Pro League, pressão máxima e obrigação clara de vencer. Al Hilal jogava à mesma hora com o Al Ittihad e a mensagem do Al Nassr tinha que ser clara: ganhar com autoridade.
O início até teve um detalhe curioso. O Al Hazm não entrou fechado com medo. Pelo contrário. Teve bola, chegou a ter mais posse nos primeiros minutos e criou logo uma situação perigosa. Aos 7’, Omar Al-Somah aparece solto para cabecear e aqui eu vou ter que dizer o óbvio: um ponta de lança de outro nível tinha feito golo. Estava no sítio certo, mas faltou qualidade na execução. E em jogos destes, esses detalhes pagam-se.
Aos 12’, Coman rompe pela direita, mete dentro e Ronaldo domina com aquela calma quase inacreditável. Remate colocado, sem hipótese. 1-0. Golo 963 da carreira, 19º na liga, 500 depois dos 30 anos. Já nem é estatística, é absurdo histórico.
Curiosamente, o golo não matou totalmente o Al Hazm. Durante alguns minutos ainda tentaram reagir, ganharam cantos, procuraram subir linhas. Mas a sensação era clara: sempre que o Al Nassr acelerava, criava perigo real. Aos 20’, Ronaldo tem um daqueles lances que não se pode falhar: dribla demais, complica o simples e perde um golo feito. Foi mesmo falhanço claro e dava perfeitamente para estar 2-0 ali.
O segundo acaba por surgir aos 30’, num contra-ataque que resume a diferença técnica. Coman conduz, tabela com João Félix, recebe de volta e finaliza a deslizar. Frio. Simples. 2-0. E aqui o jogo muda definitivamente: o Al Nassr começa a jogar solto, com prazer. Brozovic agressivo na recuperação, Simakan a sair com bola e Félix a aparecer entre linhas. A equipa parecia confortável, confiante e quase a divertir-se.
A segunda parte tem menos história no resultado, mas mantém a mesma tendência. O Al Nassr criou o suficiente para transformar isto numa goleada histórica. Félix escorrega quando estava isolado, Ronaldo obriga o guarda-redes a grande defesa e as oportunidades acumulam-se. Sem exagero, isto podia ter acabado com seis ou sete.
O terceiro golo é o momento artístico da noite. Ângelo recebe no meio-campo, encara tudo o que aparece, passa por quatro, cinco adversários, abre espaço e finaliza com categoria. Não é só técnica, é confiança, é atrevimento. É um daqueles golos que levantam estádio.
Dois minutos depois, mais uma combinação dentro da área e Ronaldo faz o 4-0. 964 na carreira, 20º na liga. Um absurdo que dá gosto de ver.
Nota honesta e aqui entra mesmo opinião: não achei o jogo de Sadio Mané mau, mas voltou a ser o menos impactante do quarteto ofensivo. Enquanto Coman, Ronaldo, Félix e até o Ângelo estavam ligados ao brilho, Mané parecia sempre um tom abaixo. Não compromete, mas também não empurra a equipa.
E depois há o detalhe que muda o peso da noite: o Al Hilal empata. O Al Nassr ganha. Al Nassr vira líder da Saudi Pro League.
Pós-jogo
Vitória clara, sem polémica e sem discussão. Mas mais do que o 4-0, o que impressiona é a consistência. São agora 10 vitórias seguidas, 8 Clean Sheets seguidas e um jogo bom jogo.
Há qualidade individual para resolver os jogos fáceis, mas isso já sabíamos. A questão era perceber se a equipa manteria o foco e a intensidade num jogo “obrigatório”. Manteve.
Cristiano continua a ser o símbolo e motor competitivo, Félix com uma qualidade imensa e um grande jogo de Coman e Ângelo.
Não foi só uma vitória normal contra um adversário inferior. Foi uma afirmação num momento chave da época. Al Nassr vence e vira oficialmente o líder da Saudi Pro League, visto que o Al Hilal empatou contra o Al Ittihad.
