O jogo ficou inevitavelmente marcado pelo regresso de Cristiano Ronaldo, e não apenas pelo fator desportivo. A tal greve nas últimas semanas criou ruído, expôs tensões dentro do projeto e trouxe uma narrativa extra para cima da partida.
Dentro das quatro linhas, o Al Nassr entrou dominante, mas não particularmente brilhante. Teve mais bola, empurrou o adversário para trás, mas sem grande velocidade de circulação. Ainda assim, dava para sentir fragilidade defensiva do Al Fateh: muito espaço entre linhas e pouca qualidade na zona de finalização.
O primeiro sinal sério surge numa falha incrível de Coman na pequena área, daqueles lances que normalmente mudam o rumo emocional de um jogo… mas aqui não mudou. Porque pouco depois apareceu aquilo que tantas vezes decide jogos mornos: presença de área.
Mané ganha a linha, cruza tenso e Cristiano, praticamente sem marcação, encosta para o 0-1. Golo inevitável de alguém inevitável que marca o seu primeiro golo no seu primeiro jogo com 41 anos.
Curiosamente, depois do golo o jogo equilibra. O Al Fateh cresce, começa a chegar mais vezes e expõe algumas fragilidades do Al Nassr, sobretudo pelos corredores. Batna assume o papel criativo e a equipa passa a rematar mais, obrigando Bento a duas ou três intervenções importantes, incluindo uma defesa dupla de alto nível. Ou seja, apesar da vantagem, o controlo emocional do jogo não era total.
Na segunda parte, o ritmo baixa. O Al Nassr gere mais do que acelera e aceita um jogo dividido durante largos minutos, algo que, pelo diferencial de qualidade, não deveria acontecer. Houve até um golo anulado que podia ter matado tudo mais cedo, mas o lance perde-se no VAR e na confusão posicional.
O Al Fateh até teve mais bola em alguns momentos, aproximou-se da área, mas sempre com a mesma limitação: falta de qualidade no último gesto. Chegava… mas não feria.
E quando um jogo fica nesse limbo, normalmente decide-se em detalhe individual. Foi o que aconteceu. Já perto do fim, cruzamento tenso, defesa passiva e Yahya, acabado de entrar, finaliza com categoria para o 0-2. Golo que matou qualquer hipótese emocional de reação.
Pós-jogo
Vitória controlada, mas não avassaladora. O Al Nassr fez o suficiente para ganhar, sem nunca precisar de carregar a fundo no acelerar, muito também porque o adversário, apesar de competitivo, revelou limitações claras na decisão ofensiva.
O grande destaque acaba inevitivalmente por ser o regresso de Cristiano. Marca no primeiro jogo após a greve, no primeiro jogo com 41 anos e volta a ser decisivo.
A equipa mantém a solidez ofensiva (mais um jogo sem sofrer golos) e soma três pontos importantes na perseguição ao topo, mas a exibição deixa também a sensação de que, contra adversários de outro nível, será preciso mais intensidade e mais consistência com a bola.
