Al Kholood 0 – 3 Al Nassr

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O contexto empurrava o Al Nassr para uma noite obrigatória de vitória. Com o Al Hilal a tropeçar novamente, o jogo contra o Al Kholood deixava de ser apenas mais uma deslocação teoricamente acessível e passava a ser uma daquelas partidas que definem campeonatos: ganhar e manter o sonho vivo ou tropeçar onde não se pode tropeçar.

Do outro lado estava um Al Kholood frágil em casa, fraco defensivamente ao longo da época, mas que entrou em campo sem se esconder. O 5-4-1 era claro, mas não era um bloco suicida. Havia intenção de jogar, de cruzar, de incomodar, ainda que com pouquíssima qualidade no último terço.

O início do jogo foi estranho. O Al Nassr teve bola, teve território, mas nunca teve verdadeiro controlo. Aos 4 minutos, Ângelo encontra Félix em zona frontal, mas o remate sai fácil para Cozzani. Um minuto depois, surge a melhor chance da primeira parte: passe em profundidade, saída péssima do guarda-redes do Al Kholood, Félix assiste Ronaldo, o giro é perfeito, o remate também… mas Camara salva em cima da linha.

O jogo nunca ganhou ritmo na primeira parte. O Al Nassr atacava de forma pouco inspirada, faltava mobilidade entre linhas e Mané estava claramente fora do jogo. João Félix, sem estar brilhante, era quem mais tentava dar algo diferente: aparecia entre linhas, batia bolas paradas, procurava combinações curtas. Não era um grande jogo, mas era o que mais dava sinais de vida criativa.

O lance de Bento aos 16 minutos é quase inacreditável: receção simples, tempo de sobra e quase oferece um auto-golo. É um guarda-redes limitado com os pés e isso ficou, mais uma vez, escancarado.

A primeira parte arrastou-se. Pouco entretenimento, pouca intensidade real e muito jogo mastigado.

Logo aos 46′, erro defensivo do Al Kholood, Félix reage rápido e atira ao travessão. O aviso estava dado. Um minuto depois, o golo aparece. Passe na desmarcação para Félix, movimento inteligente, cabeça levantada e Cristiano Ronaldo aparece onde tem que aparecer. Encosta. Simples. Golo 961 da carreira, 17º na liga, empata com Quiñones na artilharia e o jogo muda ali.

Com o marcador desbloqueado o Al Kholood desmorona-se emocionalmente. O Al Nassr, finalmente, ganha espaço. Aos 53 minutos um novo golpe: canto bem batido por João Félix e Simakan ataca a bola com autoridade. Desmarcação perfeita, cabeceamento limpo e o 2-0. Dois golos em seis minutos que resolvem um jogo que parecia preso num empate irritante.

A partir daí, o domínio é total. O Al Kholood deixa de existir ofensivamente, sente o peso do resultado e também da diferença individual. Cristiano começa a divertir-se: drible pela esquerda, cueca incluída, pausa, passe atrasado. Félix tenta de letra dentro da área — puro talento — e só Cozzani evita um golo de antologia.

A expulsão de Hatan Bahbri aos 72 minutos fecha definitivamente a história. É um lance discutível, sim, mais gesto de libertação do que agressão clara, mas na era do VAR estes movimentos pagam-se caro. Com mais um jogador o Al Nassr passa a gerir.

Cristiano ainda tenta mais um, chama o jogo, provoca, envolve-se. Sai aos 79 minutos com o trabalho feito, num jogo em que não foi dominante, mas foi decisivo. O possível penálti sobre Coman confirma-se e aos 87 minutos o francês fecha o marcador da marca dos onze metros.

Pós-jogo

Não foi um grande jogo do Al Nassr. Foi um jogo eficaz, maduro no momento certo e resolvido na segunda parte.
João Félix sai valorizado: duas assistências, envolvimento constante, criatividade e personalidade. Não marcou, mas foi o cérebro ofensivo da equipa. Simakan foi sólido atrás e decisivo à frente. Cristiano Ronaldo fez o que sempre faz: apareceu quando era preciso, marcou, liderou e saiu com números.
O Al Nassr cumpre a sua obrigação, aproxima-se do Al Hilal e reacende a luta pelo título. Não encanta, mas soma.
O Al Kholood até mostrou intenção na primeira parte, mas revelou todas as limitações que a sua classificação denuncia. Sofreu e desligou. Quando o jogo acelerou, não acompanhou.
Vitória justa, mas sem brilho.

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