Neste Al Najma vs Al Nassr analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
Com todo o respeito ao Al Najma, este era daqueles jogos em que não bastava ganhar. Era para esmagar. Último classificado, 46 golos sofridos, uma equipa recém-promovida contra um Al Nassr que vinha de 10 vitórias seguidas, 8 jogos sem sofrer e com a liderança à vista depois do tropeço do Al Hilal.
O contexto pedia goleada. E foi isso que aconteceu. O Al Nassr entrou sem ansiedade, mas com autoridade. Logo aos 4’, cruzamento de Coman e Félix acerta na parte de cima do travessão. No mesmo lance, Ronaldo fica no chão, VAR chama e o árbitro assinala penálti. Aos 7’, Cristiano não falha. 965º golo da carreira, 21º na liga, agora a dois de Ivan Toney na corrida pela artilharia. 0-1 e sensação de que a noite ia ser longa para o Najma.
E mesmo sem carregar totalmente no acelerador, o domínio era claro. Posse controlada, circulação paciente, Mané constantemente em marcação dupla, porque em 1v1 é praticamente imparável neste contexto. O Najma não conseguia sequer rematar.
O 0-2 nasce de uma jogada inteligente. Mané solta em Brozovic, Ronaldo percebe que está em posição irregular e tem a lucidez de sair da jogada, quase “avisando” que não participa. Brozovic serve Coman na pequena área e o francês finaliza com classe. É um detalhe, mas mostra o momento mental da equipa: confiança, leitura, tranquilidade.
A lesão do guarda-redes Vitor Braga aos 38’ ainda fragiliza mais o Najma. E pouco depois, aos 42’, Inigo Martínez arrisca de fora. Remate não sai perfeito, há desvio, mas o novo guarda-redes, Waled Al Enazi, fica muito mal na fotografia. A bola passa praticamente por baixo dele. Pode haver toque no defesa, sim, mas um guarda-redes deste nível não pode sofrer ali. 0-3 ao intervalo, com 1.84 xG contra 0.00. Zero remates do Najma. Zero.
A segunda parte foi gestão com qualidade.
Cristiano ainda ameaça, mas aos 52’ decide ser generoso. Recebe na área, podia forçar o bis, mas deixa para Mané que coloca no ângulo. 0-4. Golo importante para o senegalês, que vive muito dessa confiança emocional.
Logo depois, Jorge Jesus começa a rodar. Saem Ronaldo, Félix e Mané. E nota-se imediatamente a diferença técnica. Não é crítica aos sauditas que entram, é constatação: o refino acaba ali. O Al Nassr continua superior, claro, mas perde brilho, perde critério no último passe.
Ainda assim, há tempo para fechar a mão cheia. Aos 80’, cruzamento de Ghareeb e Inigo Martínez aparece ao primeiro poste a dar uma “casquinha” perfeita de cabeça. 0-5. Jogo resolvido, liderança recuperada, pressão devolvida aos rivais.
Podia ter sido seis? Sim. Sete? Talvez. Mas foi suficiente.
Pós-jogo
Missão comprida sem desgaste, sem sobressaltos e com a liderança novamente nas mãos.
O Al Nassr fez o que uma equipa candidata tem de fazer contra o último classificado: resolver cedo, controlar depois e gerir energias. Cristiano aproxima-se de Toney, a equipa mantém a sequência de vitórias e continua sem sofrer golos, e isso, numa luta tão equilibrada, pode ser decisivo.
Mais do que o resultado, a sensação é de maturidade. Esta equipa percebe quando tem de acelerar e quando pode simplesmente controlar.

