Este era daqueles jogos que não se ganham só com talento. Ganhava-se com paciência, concentração e maturidade competitiva. O Al Nassr, apesar de todas as limitações que continua a mostrar em termos coletivos, fez exatamente isso. Não foi brilhante, não foi dominante em termos de espetáculo, mas foi quase sempre dono do jogo.
Desde o apito inicial percebeu-se que o Al Nassr queria assumir. Aos dois minutos, logo um sinal claro: passe tenso e limpo de Simakan, leitura perfeita de Cristiano a atacar o espaço e um voleio que só não foi golo porque o travessão disse não. Ali estava o Ronaldo que não espera, que não pede, que ataca o momento. Pouco depois, na jogada do golo anulado, volta a mostrar maturidade total: em vez de forçar o remate de livre direto, levanta a cabeça, cruza e oferece a Simakan um cabeceamento limpo. Jogada perfeita, mesmo que invalidada por fora de jogo de Simakan.
O Al Nassr instalou-se no meio-campo ofensivo com naturalidade. Tinha a bola e tinha território. O problema foi sempre o mesmo: a decisão final. Um passe a mais, um cruzamento mal medido, um remate bloqueado. O jogo pedia um pequeno detalhe e esse detalhe teimava em não aparecer.
Do outro lado, o Al Taawoun fez exatamente o jogo que lhe interessava. Bloco baixo, cinco atrás, quatro médios muito juntos e zero ansiedade. Não pressionava alto, não se expunha, limitava-se a fechar espaços e a esperar por um erro que quase nunca apareceu. Quando tinha a bola, não sabia muito bem o que fazer com ela, e isso ficou claro nos números: pouquíssimos passes, quase todos no próprio meio-campo e nenhuma capacidade de sair a jogar com critério.
O golo acaba por surgir como quase todos os golos destes jogos: de insistência. Mané cruza com intenção, Cristiano e Brozović atacam a zona certa e Al Dossari acaba por desviar para a própria baliza. É um autogolo, sim, mas nasce de pressão ofensiva real, não de acaso.
Na segunda parte, o cenário pouco mudou. O Al Nassr continuou confortável com bola, sem sofrer, mas também sem matar o jogo. E aqui volta a entrar Ronaldo como figura central. Cabeceia dentro da pequena área e vê a bola ser bloqueada, sofre uma falta que daria penálti se não fosse o fora de jogo milimétrico, ataca o primeiro poste, o segundo, a meia-lua, sempre a oferecer soluções.
Há um momento que resume bem o jogo do Cristiano: aos 72 minutos, vai buscar uma bola praticamente perdida junto à linha final, domina de primeira com classe, protege, ganha a falta e ainda cria perigo numa zona onde não havia nada. Isto não aparece nas estatísticas, mas aparece no jogo. É liderança técnica, é uma inteligência competitiva.
O Al Taawoun ainda tentou arriscar nos últimos 20 minutos, subiu linhas, mexeu na equipa, mas nunca conseguiu verdadeiramente testar Bento. O Al Nassr controlou mais pelo posicionamento do que pela pressão alta, sendo consistente na arte de fechar os possíveis passes de quem tivesse a bola.
Pós-jogo
Este foi um daqueles jogos em que se vai falar do resultado curto e da falta de golo de Cristiano, mas é uma eitura preguiçosa. Ronaldo fez um jogo completo, embora uma nota baixa no Sofascore. Faltou o golo, sim, mas esteve lá tudo o resto: movimentos, decisões, liderança e presença constante no jogo.
O Al Nassr continua a ganhar mais do que a convencer e isso é um problema se quiser mesmo discutir o título até ao fim. Faltou fluidez e talvez tenha faltado criatividade entre linhas, uma criatividade realmente efetiva.
Não foi uma noite histórica, não foi um jogo para highlights intermináveis, mas foi uma noite de profissionalismo puro. E às vezes, em ligas, é isso que mantém uma equipa viva e a sonhar. Al Nassr encontra-se agora a 5 pontos do Al Hilal.
Al Taawoun, na minha opinião, deu pouco trabalho ao Al Nassr. Esperava mais de uma equipa que está a receber flores pelo seu sucesso na liga até agora, mas que hoje, não apresentou o que costumava apresentar.
