Al Nassr 3 – 2 Al Shabab

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O Al Nassr entrava neste jogo pressionado por uma sequência negativa de resultados e com a noção clara de que o título estava praticamente fora de alcance. Contra um Al Shabab fragilizado, a obrigação era ganhar e, se possível, ganhar bem para recuperar alguma confiança. O início parecia confirmar esse cenário. Logo aos 2 minutos, um autogolo de Balobaid, após boa iniciativa de João Félix, colocou o Al Nassr na frente. Pouco depois, aos 8 minutos, Coman marcou um grande golo, de bicicleta, e o 2-0 dava a sensação de um jogo resolvido cedo demais.

Mas essa sensação durou pouco. Apesar da vantagem confortável, o Al Nassr nunca teve verdadeiro controlo do jogo. A equipa baixou intensidade, começou a errar na construção e permitiu que o Al Shabab tivesse mais bola do que seria expectável. Bento mostrou insegurança em várias ações, saindo mal da baliza e transmitindo nervosismo à linha defensiva.

O Al Shabab, sem criar muito, foi ganhando confiança e acabou por ser recompensado. Aos 31 minutos, Simakan faz autogolo numa jogada bem construída pelo lado esquerdo, e o 2-1 trouxe justiça ao que se começava a ver em campo: um Al Nassr confortável no marcador, mas frágil no jogo.

A primeira parte termina com números que denunciam isso mesmo. Poucas ocasiões claras, xG baixo para ambos os lados e um Al Nassr que, apesar dos dois golos, fez uma exibição pobre em termos coletivos. O Al Shabab saiu vivo e com a sensação de que podia ir buscar mais.

Na segunda parte, essa sensação transformou-se em realidade. O Al Shabab entrou melhor, mais agressivo e com mais presença ofensiva.

Carrasco assumiu o jogo, Carlos Jr. começou a explorar bem o espaço e o Al Nassr revelou uma incapacidade gritante de reagir. Aos 53 minutos, Carlos Jr. empata o jogo após passe de Carrasco e erro claro de marcação, com Inigo a escorregar e Bento sem hipótese. O 2-2 é duro para o Al Nassr, mas completamente coerente com o que se via em campo.

Cristiano Ronaldo e João Félix, chamados a aparecer neste momento, não conseguiram fazer a diferença. Pouco envolvidos, pouco decisivos e claramente fora do jogo quando a equipa mais precisava de liderança ofensiva. Até ao minuto 60, o Al Shabab foi claramente superior na segunda parte.

A expulsão de Sierro, aos 68 minutos, mudou o contexto. Com mais um jogador, o Al Nassr voltou a empurrar o jogo para o meio-campo ofensivo, mas mesmo assim sem grande clareza. O golo da vitória surge aos 76 minutos num lance confuso, com Ghareeb a finalizar após ressalto, num golo mais feliz do que trabalhado. Um golo que resolve o jogo, mas que não resolve problema nenhum.

Até ao final, o Al Nassr teve mais bola, mas continuou previsível. Cristiano falhou de cabeça e de fora da área, João Félix voltou a passar ao lado e o Al Shabab ainda tentou incomodar, mas sem sucesso.

Pós-jogo

O resultado é melhor do que a exibição. O Al Nassr vence porque jogou mais de 20 minutos em superioridade numérica e porque beneficiou de um golo com sorte. Coletivamente a equipa continua frágil, sem controlo emocional, sem domínio do jogo e dependente de momentos isolados. Defender uma vantagem de 2-0 desta forma, contra uma equipa que luta para não descer é preocupante.
O Al Shabab sai derrotado, mas valorizado. Teve coragem, personalidade, boa leitura de jogo e foi claramente superior durante largos períodos do jogo enquanto teve igualdade numérica. O Al Nassr soma 3 pontos, mas volta a deixar uma imagem pobre e longe do que se espera de uma equipa com este plantel.

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