Arsenal 1 – 0 Chelsea

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O segundo jogo destas meias-finais da Carabao Cup partia de um cenário curioso. O Arsenal vinha em vantagem depois do 3-2 na primeira mão, mas o Chelsea chegava num momento de forma muito forte, embalado por cinco vitórias consecutivas e com a confiança típica de quem sente que pode virar qualquer eliminatória. Ainda assim, a sensação pré-jogo era clara: para eliminar o Arsenal atual, não bastava jogar “bem”, era preciso jogar muito.

O início confirmou aquilo que se esperava. Arsenal confortável com bola, a gerir o ritmo, sem pressas. O Chelsea, sem posse, montava-se num 5-4-1 bastante baixo, claramente mais preocupado em não sofrer do que em assumir riscos desde cedo. A grande questão estava no que o Chelsea faria quando tivesse bola e aí surgia uma escolha discutível: Delap aberto na direita, como winger.

E o problema apareceu rápido. Delap não é um extremo criativo. Não tem o drible curto, nem a explosão técnica para ganhar duelos constantes no 1vs1. Pode ganhar na velocidade uma ou outra vez, mas pedir-lhe desequilíbrio constante é pedir algo que não faz parte do seu jogo. Com isso, o lado direito do Chelsea ficava previsível e pouco ameaçador.

O Arsenal tinha mais posse, mas também não acelerava. Circulava, empurrava o Chelsea para trás, mas sem criar verdadeiro perigo. As melhores ações da primeira parte surgiram sobretudo em remates de fora da área e cruzamentos sem grande sequência. O Chelsea, apesar de ter mais bola em alguns momentos, praticamente não incomodava Kepa.

A primeira parte acabou exatamente como se sentia no estádio: muito estudo, muita contenção, pouco risco. Um jogo grande no nome, mas pequeno em emoção.

Na segunda parte, o cenário manteve-se durante vários minutos. Jogo físico, pouco inspirado, muitos duelos e pouca fluidez. E aqui entra uma reflexão interessante: este tipo de jogo entre grandes em Inglaterra tornou-se quase um padrão. Menos estética, mais músculo, mais choque. É uma evolução? Talvez. É bonito de ver? Nem sempre.

O Arsenal nunca se sentiu totalmente confortável quando o Chelsea conseguiu ter bola por períodos mais longos, mas também nunca pareceu verdadeiramente ameaçado. A grande mudança veio aos 60 minutos, quando o Chelsea abandona os cinco atrás e lança Cole Palmer e Estevão. A equipa ganha mais criatividade, mais intenção e mais presença entre linhas.

Ainda assim, faltava algo essencial: timing. O Chelsea demorou demasiado a assumir riscos num jogo em que precisava obrigatoriamente de marcar. Quando começou a arriscar a sério, o relógio já era um inimigo.

As entradas de Havertz e Trossard deram ao Arsenal mais capacidade de segurar a bola e explorar transições. Gyökeres saiu após uma exibição apagada, muito também por culpa da falta de serviço. Garnacho entrou para tentar repetir a primeira mão, mas desta vez encontrou um Arsenal muito mais compacto, a fechar o corredor central e a viver bem sem bola.

Nos minutos finais, o Chelsea empurrou tudo para a frente, cruzou, tentou remates de meia distância, mas sem criar uma ocasião clara que fizesse o Arsenal tremer. E quando se expôs totalmente, aconteceu o inevitável.

Já nos descontos, com o Chelsea desesperado, o Arsenal sai em transição. Rice conduz, encontra Kai Havertz em posição perfeita. Sem pressão real, com espaço e tempo, Havertz escolhe o melhor caminho: tira Robert Sánchez do lance e empurra para a baliza vazia. Golo frio, clínico e simbólico.

Pós-jogo

Vitória mínima no jogo, mas máxima na eliminatória. O Arsenal nunca precisou de ser brilhante, porque foi sempre controlado, maduro e consciente do contexto.
O Chelsea mostrou bons sinais ao longo da eliminatória, mas neste segundo jogo pagou caro a abordagem inicial demasiado conservadora. Usar cinco atrás durante tanto tempo num jogo em que era obrigatório ganhar acabou por limitar o próprio potencial ofensivo.
Havertz fecha a eliminatória com requintes de crueldade e o Arsenal segue para a final com a sensação de equipa grande: nem sempre encanta, mas quase nunca perde o controlo.

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