Arsenal 2 – 3 Man United

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O contexto tornava este jogo especial antes mesmo da bola rolar. O Arsenal, líder isolado da Premier League, invicto em casa, melhor defesa do campeonato. Do outro lado, o Manchester United, o maior clube do país, ainda à procura de estabilidade, mas embalado por uma vitória gigantesca no dérbi. À partida, um ponto para o United já seria ouro.

E o jogo começou exatamente como se esperava: Arsenal com bola, United a resistir. A pressão dos gunners foi fortíssima nos primeiros minutos, fechando o campo, sufocando a saída do United e obrigando-o a jogar longo, mas sem sucesso. Em 13 minutos, o United ainda não tinha dado um único passe no último terço. Saliba colou-se a Bruno Fernandes como uma sombra e enquanto isso, o Arsenal circulava com conforto, mas nem sempre com criatividade.

O golo do Arsenal nasce desse domínio territorial. Hincapié cruza, Dorgu alivia mal, Saka atrai marcação e a bola acaba nos pés de Ødegaard. O remate sai torto, mas na confusão Lisandro Martínez, agarrado a Timber, acaba por desviar para a própria baliza. Um golo feio, confuso, mas que premiava quem mandava no jogo.

Só que este United não estava morto. Bastou um erro para tudo mudar. Zubimendi falha um passe simples para trás, Mbeumo antecipa-se, puxa para dentro e finaliza com frieza perante Raya. Empate num lance isolado, mas letal. Bruno Fernandes já tinha avisado antes, Mbeumo também. Sempre que o United conseguia virar-se para a frente, havia perigo.

A segunda parte começa com algo inesperado: o United com bola, em ataque posicional. E logo aí surge o momento do jogo. Bruno combina com Dorgu, a bola volta, e Dorgu enche o pé de fora da área. Um remate violentíssimo, travessão e golaço.

O Arsenal sentiu. Entrou mal, perdeu clareza e passou a jogar mais com ansiedade do que com cabeça. Arteta mexe quatro jogadores de uma vez, tenta acelerar e tenta forçar. E aí começa um problema evidente: muito passou por Saka. Bola no Saka, resolve. Bola no Saka, inventa. Só que Saka não estava bem. Sofreu com dobras, mas mesmo quando teve 1v1, pouco fez. Um jogo grande… e mais uma vez apagado.

O Arsenal empurra, cria caos, mas não cria controlo. O golo do empate nasce precisamente disso: cruzamento tenso de Saka, Lammens falha o soco, bola a pingar, Merino empurra, Šeško tenta tirar… mas a bola já tinha entrado. Um golo confuso, quase caricato, mas que reacende o Emirates.

Só que este United não tremeu. Três minutos depois, resposta de equipa grande. Bola longa, Šeško amortece com inteligência, Bruno lê tudo antes de todos, Mainoo recebe e solta para Cunha. E Cunha… faz o resto. Remate de fora da área, com curva perfeita, fora do alcance de Raya. Um golo lindíssimo, de qualidade pura, no momento certo.

A partir daí, o United fecha-se com inteligência, não com medo. O Arsenal tenta, mas não arriscou de verdade. Faltou agressividade, faltou rasgo, faltou alguém que pegasse no jogo pelo colarinho. No último lance, Lisandro Martínez faz um corte monstruoso, simbólico do que foi o espírito do United nesta noite.

Pós-jogo

Vitória enorme do Manchester United. Não só pelo resultado, mas pela maturidade. Soube sofrer, soube esperar, foi clínico quando teve de ser e mostrou personalidade num dos estádios mais difíceis da Europa. Carrick, em apenas dois jogos, já deixa marcas claras: equipa mais junta, mais solidária e com Bruno Fernandes a jogar onde mais dói ao adversário.
O Arsenal perde mais do que três pontos. Perde a invencibilidade em casa e perde margem de erro. Saka volta a sair do jogo sem impacto real e quando o plano A não resulta o B também não.
O United não foi perfeito, mas hoje foi inteligente, competitivo e letal.


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