Barcelona 3 – 0 Mallorca

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O Barcelona entrava em campo com um objetivo claro: ganhar e meter pressão direta no Real Madrid na luta pelo topo da La Liga. O contexto era favorável, melhor ataque do campeonato frente a uma das defesas mais frágeis, e o jogo rapidamente mostrou que a lógica da tabela ia pesar dentro das quatro linhas.

Desde o apito inicial percebeu-se o plano do Mallorca. Linha de cinco atrás sem bola, bloco baixo, 5-4-1 compacto, praticamente a abdicar de pressionar alto. Quando recuperava, até voltava a quatro defesas. O jogo desenhava-se como ataque posicional constante do Barcelona contra uma muralha plantada na área.

Mesmo assim, os primeiros avisos até foram do Mallorca, muito por culpa de alguma desconcentração inicial do lado catalão, especialmente de Koundé. Jan Virgili conseguiu explorar esse lado em dois lances, primeiro ao recuperar uma bola perto da área e depois numa desmarcação perigosa que expôs alguma falta de coordenação defensiva do Barça. Nada que resultasse em golo, mas suficiente para mostrar que o Mallorca não estava ali só para assistir.

Com o passar dos minutos, o jogo assentou no padrão esperado: Barcelona instalado no meio-campo ofensivo, circulação paciente, procura de espaço interior e muita bola a cair no lado esquerdo.

E aí começou a aparecer Marcus Rashford. Sempre no mesmo movimento: recebe aberto, puxa para dentro, procura o remate. Tentou uma vez, passou perto. Tentou outra, bloqueado. À terceira, nasce o golo.

Aos 29 minutos, Rashford volta a puxar para dentro e remata. A bola é bloqueada, sobra para Lewandowski e aí entra a diferença de um ponta de lança de elite. Fake shot que deita Valjent no chão, ajuste curto para a direita e finalização fria para o fundo da baliza. Um golo de experiência pura, de quem pode já não ter a explosão de outros tempos, mas continua a dominar o tempo do lance como poucos.

O 1-0 abriu ligeiramente o jogo. O Mallorca teve de subir alguns metros e isso criou mais transições, algo que até beneficiou o ritmo da partida. Rashford continuava a ser o principal foco ofensivo e o Barcelona acumulava ocasiões, incluindo um falhanço inacreditável de Lamine Yamal já nos descontos, sozinho no segundo poste, a poucos metros da baliza, a atirar ao lado.

Na segunda parte, o domínio tornou-se ainda mais pesado. O Barcelona subiu a rotação, aumentou a pressão pós perda e começou a empurrar o Mallorca para ainda mais perto da própria baliza. Remates de média distância, segundas bolas, cantos curtos e o golo parecia questão de tempo.

Chega aos 61 minutos, lance de canto curto, Lamine recebe atrás da meia-lua, puxa ligeiramente para a esquerda e solta um remate colocado, forte, indefensável. Um golo de talento puro, daqueles que matam qualquer resistência emocional restante.

Com o 2-0, o jogo praticamente acabou. O Mallorca não reagiu com pressão, não subiu linhas, não arriscou. Continuou baixo, passivo, quase resignado. O Barcelona, confortável, passou a gerir posse e escolher momentos para acelerar.

O terceiro golo nasce já em transição. Bernal conduz para a área, tira o defesa do caminho, Mascarell ainda desvia, mas não evita o golo. Um lance que fecha a noite com justiça no marcador.

Pós-jogo

O Barcelona fez o que tinha de fazer: dominar, controlar e ganhar sem sobressaltos. Não foi uma exibição perfeita, houve alguma desconcentração inicial e desperdício na finalização, mas foi uma vitória de equipa madura, que sabe quando acelerar e quando simplesmente sufocar o adversário com posse.
Rashford foi o principal agitador ofensivo, constantemente a criar desequilíbrios a partir da esquerda. Lewandowski voltou a mostrar que, por mais limitado fisicamente que a idade lhe traz, continua a ser letal e Lamine Yamal, entre o falhanço escandaloso e o golo brilhante, voltou a deixar claro o tamanho do talento que tem nos pés.
Do lado do Mallorca, o plano defensivo até foi disciplinado durante algum tempo, mas faltou ambição depois de sofrer. Defender durante 90 minutos sem nunca pressionar verdadeiramente torna quase impossível sair vivo contra um ataque desta qualidade.
O Barcelona isola-se assim na liderança, cumpre a obrigação e mantém a pressão máxima sobre o Real Madrid.

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