Benfica 0 – 1 Real Madrid | Análise

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Primeira mão dos Playoffs da Champions, contexto pesado, memória fresca daquele milagre do Trubin no último segundo… e a verdade é que o jogo teve exatamente a tensão que se esperava. Muito cálculo emocional, porque ninguém queria repetir o descontrolo do último encontro.

O Benfica entrou melhor nos primeiros minutos, mais confortável com bola, a tentar empurrar o Real Madrid para trás, mas rapidamente deu para perceber que era um domínio mais territorial do que propriamente perigoso.

Com o passar do tempo o jogo virou aquilo que o Madrid gosta: ritmo controlado, posse paciente e, acima de tudo, pressão alta (feita por vezes) muito bem coordenada. O Benfica começou a falhar saídas, a perder bolas em zonas proibidas e aí o jogo começou a inclinar.

Ainda assim, não era um massacre. Era um jogo de detalhe. Trubin foi sendo chamado, remates de Mbappé, tentativas de meia distância, uma ou outra jogada trabalhada, mas nada que quebrasse o equilíbrio emocional do jogo. O Benfica defendia bem a área, fechava linhas de passe e mantinha o resultado vivo até ao intervalo, mesmo com xG e ocasiões claramente favoráveis ao Madrid.

O 0-1 nasce de um momento individual puro de Vini Jr — recebe na esquerda, puxa para dentro e mete a bola no ângulo. Golaço, sem discussão. Daqueles golos que desbloqueiam eliminatórias.

E é aí que o jogo deixa de ser só futebol. A paragem por alegados insultos racistas muda completamente o ambiente. Rumores de que Prestianni terá chamado “mono” ao Vini, ele tapa a boca no momento, o Vini reage, o jogo para longos minutos, membro da comitiva expulso… e honestamente, aqui não há muito relativismo possível. Eu também tendo a acreditar no Vini. Não só pelo histórico de denúncias que já fez, mas porque ninguém pára um jogo destes, nesta fase, por teatro. A dança dele depois do golo pode ser vista como provocação? Pode, mas nada, absolutamente nada, legitima insulto racista.

Depois da retoma, o ambiente azedou de vez. Cada toque do Vini ou do Mbappé era assobiado, e curiosamente isso até beneficiou o Madrid, que ficou ainda mais confortável no caos emocional do jogo.

A partir daí, controlo quase total espanhol. Posse longa, circulação sem pressa, dupla marcação constante nas alas para travar transições do Benfica e uma gestão muito fria do ritmo. O Benfica só voltou a crescer já perto dos 75’, mais por necessidade do que por capacidade real de desmontar o bloco.

Mesmo assim, faltou criatividade, faltou último passe e sobrou ansiedade.

Do lado disciplinar, destaque para a expulsão de José Mourinho no banco, dois amarelos seguidos, protestos excessivos, reflexo claro da frustração encarnada com o rumo do jogo.

Até ao fim, ainda houve tempo para perdas de tempo, objetos atirados para o relvado e um Madrid cada vez menos interessado em jogar e mais interessado em gerir.

Pós-jogo

O 0-1 deixa a eliminatória totalmente aberta, mas com vantagem psicológica clara para o Madrid. Não só pelo resultado, mas porque mostrou maturidade competitiva para jogar fora, num ambiente hostil, e controlar o jogo quanto precisava.
O Benfica sai vivo, e isso é importante, mas com sensação de que produziu pouco para quem jogava em casa. Vai ter que arriscar mais no Bernabéu e todos sabemos o que isso normalmente significa em noites de Champions.
E ainda há o fator emocional, que se já estava quente, agora vai estar a ferver na segunda mão.
No fim são três pontos gigantes na luta pela permanência e um golpe enorme na corrida pelo título.

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