Celta de Vigo 1 – 2 Real Madrid | Análise

English English

Neste Celta de Vigo vs Real Madrid analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.

St. Balaídos recebia um daqueles jogos que, olhando para a classificação, já não podem ser tratados como rotina para o Real Madrid. O Celta de Vigo chega a esta fase da temporada numa posição que poucos imaginariam há algum tempo: 6º lugar e futebol competitivo. Do outro lado aparecia um Real Madrid pressionado. Duas derrotas seguidas na liga, quatro pontos atrás do Barcelona e um plantel completamente remendado. Mesmo assim, convém dizer: o Real Madrid continua a ter um plantel melhor que praticamente toda a liga. O problema não é talento, é coletivo.

O início do jogo reforçou a ideia de equilíbrio. O Celta entrou confortável. Courtois teve de intervir cedo para evitar problemas maiores. Do outro lado, bastou um lance para o Real Madrid mostrar perigo: Vini Jr arrancou entre os centrais e acertou no poste, lembrando que mesmo num coletivo irregular, a equipa continua a ter jogadores capazes de decidir sozinhos.

Pouco depois surge o primeiro golpe. Num canto curto, Arda Güler solta a bola para a zona da meia-lua e Tchouaméni aparece completamente solto para rematar de primeira. Um remate bem batido, mas também um erro defensivo evidente do Celta ao deixar um médio sozinho naquela zona.

Iglesias voltou a testar Courtois depois de uma boa desmarcação e a sensação era estranha: a equipa que estava melhor era a que estava a perder.

O empate acabou por surgir de forma natural. Swedberg aparece pela esquerda, Arnold defende mal a jogada e acaba por oferecer espaço e tempo ao sueco. O passe sai para o meio da área e Borja Iglesias só tem de empurrar para o fundo da baliza.

Sem alguém a fixar centrais ou atacar cruzamentos, muitos ataques do Real Madrid terminavam antes de realmente ameaçar. Era um Madrid que parecia até confortável a defender e a esperar espaço para correr. É uma abordagem possível, claro. Até acredito que em algum momento o Real Madrid queria isso, mas depois foi “obrigado” a ter a posse de bola.

Até ao intervalo, quem mais trabalhou foi Courtois. Swedberg voltou a rematar com perigo e o guarda-redes belga teve de salvar novamente uma defesa que dava demasiado espaço para rematar. As estatísticas do intervalo até resumiam bem o jogo: mais remates perigosos do Celta, mais perigo real, e um Madrid que tinha feito pouco com bola.
A segunda parte começou com um pequeno susto que resume bem algumas limitações do plantel atual do Madrid. Raúl Asensio voltou a mostrar insegurança num lance simples e, honestamente, as críticas que recebe por não ter nível para o Real Madrid parecem difíceis de contestar. O problema é que, com tantas lesões, também não há muitas alternativas.

O Real Madrid tinha mais posse, mais presença no meio-campo ofensivo e passava mais tempo instalado no campo adversário, mas sem realmente criar situações claras. Sem espaço para correr e sem referência na área, muitas jogadas terminavam em remates bloqueados ou tentativas de fora da área.

O lance mais discutível da segunda parte aparece perto dos 70 minutos. Sinceramente fica a dúvida. O braço levanta-se de forma clara e é daqueles lances em que se vê árbitros marcar para os dois lados. Não seria escandaloso marcar penálti ali.

Enquanto isso, o Celta desaparecia ofensivamente. A equipa que tinha sido positiva na primeira parte passou grande parte do segundo tempo a defender mais baixo. O Madrid tinha bola, mas também parecia preso a um ataque previsível.

Mesmo assim, o futebol raramente é linear. Já perto do fim, o Celta teve talvez a melhor oportunidade da segunda parte: contra-ataque rápido, bola para Iago Aspas dentro da área, fake shot a tirar o defesa e remate ao poste. Foi o tipo de lance que podia ter decidido o jogo ali.

Quando parecia que o empate era o resultado inevitável, surge o momento final. Cruzamento rasteiro, corte incompleto da defesa do Celta e a bola sobra para Valverde. O uruguaio remata de primeira e a bola ainda desvia num defesa, mudando completamente a trajetória e enganando o guarda-redes. Um daqueles golos caóticos, mas que o futebol também tem.

Pós-jogo

O Real Madrid sai de Vigo com 3 pontos importantes, mas a sensação continua a ser de uma equipa que vive muito mais de momentos do que de um domínio coletivo claro. Não foi uma exibição particularmente convincente, mas foi eficaz no momento decisivo.
Para o Celta, fica uma sensação amarga. A equipa mostrou coragem na primeira parte, personalidade e conseguiu competir. Teve momentos em que parecer mais confortável no jogo que o próprio Madrid, mas faltou transformar a presença ofensiva em golo.
No fim, o Real Madrid faz aquilo que tantas vezes faz: encontra um momento que decide tudo. Não resolve as dúvidas sobre a equipa, mas mantém-na viva na luta pelo topo da liga.

Estatísticas no final do jogo

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Scroll to Top