Ontem a Itália passou por mais uma vergonha: falhar o Mundial pela terceira vez consecutiva. O último jogo da Itália num Mundial foi em 2014 e a última vez em mata-mata foi em 2006, quando ganhou a competição. Isto é simplesmente ridículo para a segunda maior seleção do mundo em termos de títulos, empatada com a Alemanha. E o pior é que, para uma geração inteira, isto já começa a ser normal.
Assim sendo, é preciso perceber o que se passa e porque é que esta vergonha se tornou recorrente.
É evidente que, se a seleção está assim, é porque o talento italiano também está assim. E isso reflete-se muito na liga: a Serie A. Uma liga envelhecida, com pouco mercado, pouco dinheiro, pouca exportação e com equipas de topo cheias de jogadores mais velhos. E aqui nem estou a falar do fundo da tabela, estou a falar do topo. A média de idades diz tudo: Inter com 29.3, Milan com 27.2, Napoli com 28.5, Juventus com 27.3, e ainda tens Roma, Atalanta, etc.
O problema é claro: o talento italiano está envelhecido, não há renovação suficiente e não aparecem talentos novos em quantidade nem em nível. Tens alguns nomes, como Pio Esposito, Kayode ou Palestra, mas é pouco. E quando comparas com outras seleções, a diferença nota-se. O Brasil, por exemplo, tem Estevão, Andrey Santos, Endrick, Savinho, Rayan, Vitor Roque… e atenção, o Brasil nem é favorito ao próximo Mundial. É bom, mas não é favorito.
As equipas italianas viraram um “abrigo de jogadores velhos”. Vão buscar jogadores que já deram o que tinham a dar noutras ligas, não investem o suficiente na base e o ciclo repete-se. A Juventus e o Como até tentam mudar isso, mas mesmo aí há um problema: muitos dos jovens nem são italianos. Ou seja, não resolve o problema da seleção. O Como, por exemplo, tem feito uma boa época, mas quase não usa italianos de forma consistente e isso diz muito.
E depois ainda tens rumores como a Inter querer Bernardo Silva e Raphael Guerreiro. Ok, podem vir a custo zero e parecem boas oportunidades, mas isso muda alguma coisa no desenvolvimento de jovens italianos? Não muda. A verdade é que a Itália hoje não consegue atrair jogadores de topo no auge. Alguém acredita que Mbappé ia para a Serie A? Ou Lamine Yamal? Ou mesmo nomes abaixo disso, como Rúben Dias ou Matheus Cunha?
A mudança não vai acontecer enquanto não houver uma decisão clara de apostar no produto nacional, desenvolver talento italiano e crescer a liga com base nisso. A Serie A ainda é competitiva, mas é um futebol pouco atrativo, sem grandes estrelas. E hoje em dia, as pessoas seguem mais os jogadores do que os clubes.
Não é a contratar jogadores em fim de carreira que isto vai mudar.
Conclusão
Às vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar vários à frente e a Itália precisa disso. Aposta nos jovens italianos, dá tempo, dá confiança. Vai demorar? Sim. Mas é melhor do que continuar neste ciclo.
Neste momento tens uma liga a perder relevância e uma seleção sem talento suficiente para competir ao mais alto nível. E mesmo que a derrota de ontem não tenha sido só por falta de talento, esse problema está lá… e é cada vez mais evidente, principalmente na Serie A.
