O Manchester Derby chegava num contexto difícil para o United. Michael Carrick fazia o seu primeiro jogo como treinador interino. Figura respeitada no clube, mas que regressava ao ativo depois de meses parados e encontra um United mergulhado no caos. Do outro lado estava um City estável, em boa forma, invicto há 13 jogos e ainda a sonhar em encurtar distâncias para o Arsenal. Tudo apontava para um jogo dominado pelo City, mas o derby raramente respeita lógicas simples.
Desde o início, percebeu-se que o United não ia aceitar um papel passivo. Mesmo com menos posse, entrou muito agressivo na pressão, forçando erros em zonas perigosas e dificultando a saída limpa do City. Logo nos primeiros minutos criou perigo real, com o Bruno a cruzar e Maguire a cabecear a bola, que bate no travessão numa disputa aérea dentro da área. Pouco depois, Mbeumo teve um 1v1 com Donnarumma que podia ter mudado o jogo cedo. O City tinha mais bola, como era esperado, mas estava longe de controlar o jogo com conforto.
O plano do United era claro e estava a funcionar: bloco compacto, solidariedade defensiva e saídas rápidas em velocidade. Dorgu dava profundidade pela esquerda, Diallo ajudava defensivamente Dalot, que cedo ficou amarelado, e o Bruno aparecia como o cérebro dos contra-ataques. Defensivamente, a equipa estava muito concentrada, com todos atrás da linha da bola quando necessário, fechando bem os espaços interiores.
O City teve posse, mas pouca criatividade. Haaland passou completamente ao lado da primeira parte, quase sempre bem controlado por Lisandro Martínez, e Foden também esteve apagado. Mesmo quando o City chegava perto da área, faltava agressividade e clareza. O United, pelo contrário, chegou a marcar por duas vezes, ambas anuladas por fora de jogo, mas deixava uma sensação clara: estava mais perigoso com 30% de posse do que o City com mais de 70%. Ao intervalo, os números confirmavam isso — mesmas finalizações, mais perigo real do lado vermelho.
Na segunda parte, o jogo manteve-se intenso e algo nervoso, muito também pela exibição inconsistente do árbitro, que foi perdendo o controlo emocional da partida. O City tentou subir linhas, mas continuava sem soluções claras. Haaland seguia invisível, bem anulado, e cada vez mais frustrado. O United, pelo contrário, continuava seguro no seu registo, defendendo bem e atacando melhor do que se esperava.
Um contra-ataque rápido, bem temporizado por Bruno Fernandes, que espera a corrida perfeita de Mbeumo e solta no momento certo. Finalização limpa, 1-0, e explosão em Old Trafford. O City sofreu o golpe e nunca conseguiu reagir verdadeiramente.
No minuto 76, chega o momento que fecha o jogo. Mais uma transição rápida, Diallo encontra Cunha, que vai à linha, puxa a defesa e serve Dorgu, que ataca o espaço com velocidade e finaliza. 2-0. Um golo que simboliza tudo o que o United fez bem: intensidade, coordenação e compromisso coletivo. A partir daí, o City nunca mais teve resposta. Nem mesmo as entradas tardias mudaram o rumo do jogo.
Lisandro Martínez fez uma exibição absolutamente monumental, anulando Haaland durante todo o tempo em campo. Casemiro, apesar de ter desperdiçado uma oportunidade clara, foi muito importante defensivamente e saiu aplaudido de pé. Do lado do City, Haaland saiu sem deixar marca, confirmando uma exibição muito abaixo do esperado e o coletivo nunca encontrou soluções para desmontar o bloco adversário.
O golo anulado de Mount nos descontos não muda a história. O resultado final de 2-0 fica curto para o City.
O United respondeu no único lugar onde ainda parece encontrar identidade: dentro de campo, nos grandes jogos. Primeiro jogo de Carrick e já conseguiu algo que parecia quase impossível: uma equipa organizada, solidária e competitiva. Não resolve os problemas estruturais do United, nem apaga a instabilidade crónica, mas é uma vitória enorme em contexto emocional, competitivo e simbólico. Para o City, é um tropeço sério na luta pelo título.
Pós-jogo
O Man United ganhou o dérbi porque foi simplesmente melhor em tudo. Não teve mais bola, mas foi mais intenso, mais organizado e muito mais perigoso quando teve espaço. Defendeu em bloco, com solidariedade e saiu rápido sempre que recuperou, criando problemas constantes a um City demasiado previsível.
Lisandro Martínez fez um exibição gigante e apagou completamente Haaland, que volta a ter um jogo fraco. Casemiro, apesar do erro claro na finalização, foi importante defensivamente e deu equilíbrio no meio. Bruno Fernandes liderou os contra-ataques com qualidade e paciência, esperando o momento certo para soltar a bola. O United cresceu sempre que atacou em transição.
O City teve posse, mais pouco mais do que isso. Circulou muito, criou pouco e raramente conseguiu entrar com perigo na área. Foden não apareceu, Haaland em modo fantasma e a equipa não encontrou soluções quando o United fechou o espaço interior.
O 2-0 faz sentido, mas podia ter sido muito mais. O United foi mais competente, mais concentrado e mais eficaz. Vitória brilhante e imensa para o lado vermelho. Manchester is Red
