Neste Milan vs Inter analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
San Siro recebia mais um Derby della Madonnina. O Inter chegava como líder confortável, com dez pontos de vantagem, enquanto o AC Milan tentava aproximar-se e, ao mesmo tempo, provar que esta equipa de Allegri continua competitiva mesmo sem futebol particularmente brilhante.
O jogo começou com um erro que podia ter mudado tudo logo de início. Aos 3 minutos, Yann Sommer falhou completamente um passe na saída de bola e ofereceu a posse ao Milan. Luka Modrić recebeu perto da área, puxou e rematou ao lado, com a bola a passar perto do poste. Foi o primeiro aviso num início em que o Milan entrou com mais energia.
Durante alguns minutos parecia que os rossoneri queriam pressionar alto e sufocar a Inter, mas essa intensidade durou pouco. Rapidamente o Milan baixou linhas e começou a fazer aquilo que caracteriza esta equipa de Allegri: organização defensiva, pressão coletiva apenas quando necessário e muita paciência para esperar o erro do adversário.
A Inter passou a ter mais posse de bola, mas curiosamente não transmitia grande confiança com ela. Havia circulação, mas pouca aceleração e quase nenhuma criatividade para quebrar a estrutura defensiva do Milan. Como as duas equipas alinhavam praticamente no mesmo sistema, o espaço entre linhas era mínimo e o jogo transformou-se num confronto muito tático.
Ao minuto 30, a sensação era clara: o jogo estava chato. Não por falta de qualidade dos jogadores, mas porque nenhuma das equipas conseguia realmente criar perigo.
A primeira grande chance real da Inter apareceu aos 34 minutos. Henrikh Mkhitaryan surgiu isolado dentro da área após um contra-ataque e ficou cara a cara com Mike Maignan, que respondeu com uma defesa incrível. Mesmo assim, olhando friamente, o remate podia ter sido muito melhor colocado. Aos 35 minutos, Estupiñán apareceu nas costas da defesa após um excelente passe de Fofana e rematou com força ao primeiro poste. Um remate seco, impossível para Sommer.
O mais estranho era a reação da Inter. Mesmo em desvantagem, a equipa parecia pouco agressiva na pressão quando perdia a bola, permitindo ao Milan encontrar algum espaço no meio-campo ofensivo.
Na segunda parte, o cenário mudou ligeiramente. A Inter começou a empurrar o jogo para o meio-campo do Milan, enquanto a equipa de Allegri recuava cada vez mais. O plano passou a ser claro: defender, recuperar e lançar rapidamente Rafael Leão em transição. Aos 65 minutos surgiu outro momento marcante: Alessandro Bastoni travou um possível contra-ataque com uma entrada dura sobre Rabiot e viu amarelo. Foi uma falta técnica bastante feia.
Nos minutos finais o Milan começou a fazer aquilo que sabe fazer bem: gerir o jogo, quebrar o ritmo e sobreviver.
Já nos descontos, aos 90+3, a bola ainda entrou na baliza do Milan, mas o árbitro tinha apitado antes por falta ou algo parecendo, anulando imediatamente o lance. O Milan resistiu até ao fim.
Pós-jogo
O apito final confirmou um jogo que não foi um espetáculo de golos ou dribles, mas uma demonstração de paciência, organização e inteligência tática. Allegri faz o Milan saber sobreviver a aproveitar as brechas do adversário. O Milan pode não dominar taticamente, mas sabe exatamente como castigar e resistir.
Para a Inter a vitória em si não pesa tanto, já que continuam líderes, mas não é confortável perder um derby, especialmente quando tiveram tanto tempo e posse para criar perigo. Faltou capacidade de finalização.

