Já todos sabemos os problemas da seleção italiana (o que reflete o que acontece na Serie A) e também sabemos que é preciso mudar várias áreas. Uma delas é o treinador da seleção, que atualmente é Gattuso. Ele veio para trazer mentalidade, dedicação, mas peca em vários outros aspetos.
Contra a Bósnia e a Irlanda do Norte, Gattuso tomou más decisões e isso vem de algo que parece estar instalado na cabeça de quem dirige equipas italianas e a própria seleção: não confiar nos jovens. Optam sempre pela experiência e depois ainda perguntam porque o país não tem uma boa geração e está a matar a próxima. Por quê não dar mais tempo a Palestra, que só jogou 6 minutos contra a Irlanda do Norte? Por quê não dar tempo de jogo ao Scalvini? Por quê nem sequer convocar o Kayode?
Não usa os jovens durante o jogo, mas depois, nos penáltis, não hesita em meter o Pio Esposito como primeiro batedor. É inacreditável. Imaginam a pressão que ele sentiu? É para isso que servem os jogadores mais experientes: para assumirem esses momentos. Assim sendo, uma das coisas mais fáceis para começar a resolver o problema é a demissão de Gattuso, que é um treinador limitado.
Como opções, tens Roberto Mancini, Antonio Conte e Allegri. Fala-se de Pep Guardiola, mas vamos ser sinceros: zero hipóteses. A Itália hoje não é uma seleção de topo ao ponto de atrair alguém como ele. Podem sondar, mas não é realista.
Com a possível saída de Gravina da federação, o Mancini ganha força, até por não ter uma boa relação com o mesmo. Está atualmente no Al-Sadd, no Qatar, e parece-me uma opção bem possível. O Conte, que está no Napoli, é um bom treinador, mas tem um problema claro: não valoriza tanto a Champions e, no geral, competições a eliminar não parecem ser o seu ponto forte. Não o vejo como a melhor opção para torneios de “tiro curto” como Euro ou Nations League. O Allegri dificilmente sai do Milan e é um treinador muito pragmático. Funciona? Mais vezes sim do que não. Mas não entusiasma ninguém.
Conclusão
Esqueçam o Guardiola, não é realista. A melhor opção, dentro do que é possível, é o Mancini. O Conte não tem grande perfil para mata-mata, o Allegri é demasiado pragmático e o Mancini, mesmo estando no Al-Sadd, pode ser atraído pela seleção. O dinheiro pesa, claro, mas uma seleção como a Itália ainda tem outro tipo de apelo.
Os tempos do Gattuso já acabaram. Ele é limitado e isso está a travar ainda mais uma geração que já vem com problemas.
