Real Betis 0 – 5 Atlético de Madrid

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O último jogo dos quartos de final da Copa del Rey colocava frente a frente duas equipas com objetivos diferentes, mas ambas com ambição clara na competição. O Betis, a jogar em casa e num jogo único, sabia que tinha aqui uma oportunidade real de chegar às meias-finais. Já o Atlético Madrid chegava pressionado por uma temporada que oscila entre o aceitável e o dececionante, procurando na Taça uma afirmação competitiva que tem faltado noutras frentes.

E o início até deu a sensação de que o Betis queria discutir o jogo com personalidade. Linhas subidas, pressão ativa, tentativa de recuperar rápido e sair em transição. Não era uma pressão suicida, mas também não era passiva. Era um Betis corajoso.

O problema é que coragem sem controlo contra uma equipa confortável em atacar profundidade pode virar autossabotagem.

O Atlético começou a encontrar espaço exatamente onde queria: nas costas da linha defensiva. Lookman, a estrear-se, percebeu isso cedo. Constantemente a atacar o espaço, a oferecer ruptura, a obrigar a defesa a correr para trás.

O primeiro golo nasce num lance que simboliza bem o que foi o jogo. Cruzamento tenso para o primeiro poste, desvio pelo caminho e Adrián sem capacidade de reação. Um lance algo caótico, mas que premiava já um Atlético mais presente no último terço. O Betis não recuou. Continuou com linhas relativamente altas e isso abriu ainda mais o jogo para quem queria transitar.

O segundo golo é futebol de corredor bem executado. Progressão pela esquerda, Ruggeri vai à linha e coloca na pequena área onde Giuliano Simeone aparece com timing perfeito. Simples, eficaz, demolidor para o momento emocional do Betis.

Lookman, cada vez mais solto, começou a assumir o 1×1, a provocar quedas, a criar superioridade individual. E é dele o momento técnico da noite. Contra-ataque rápido, combinação com Barrios, receção pela esquerda, puxa para dentro, desequilibra o defensor e finaliza com classe. Um golo que mistura explosão, técnica e frieza. Estreia com assinatura própria. O detalhe genial do lance — o toque de calcanhar de Griezmann a partir dois marcadores — resume também o nível de conforto do Atlético no jogo.

Ao intervalo, o 0-3 não deixava dúvidas. Não era só eficácia. Era controlo emocional, tático e espacial.

Na segunda parte, o Betis até tentou dar uma resposta de orgulho. Abde teve uma boa tentativa, a equipa subiu um pouco as linhas, mas a sensação era clara: qualquer perda de bola podia virar mais um contra-ataque mortal.

Lookman volta a conduzir em transição, fixa, espera o momento e solta para Griezmann, que finaliza já dentro da área. Adrián ainda toca, mas sem força suficiente. O quarto golo matava qualquer esperança restante.

A partir daí, o jogo entrou em modo exibição. Atlético com bola no meio-campo ofensivo, a trocar passes com calma, enquanto o Betis já acusava o desgaste físico e mental. As imagens de adeptos a abandonar o estádio aos 66 minutos dizem tudo sobre o que se passava em campo.

Ainda houve tempo para fechar a mão cheia. Nova transição, Griezmann envolvido, remate defendido e Almada aparece para finalizar a recarga. O 0-5 não era exagero, era o retrato fiel da diferença entre as equipas no jogo.

Pós-jogo

Resultado pesado, mas acima de tudo simbólico. O Atlético Madrid não só venceu, como afirmou-se. Foi uma exibição de equipa grande em mata-mata: clínica quando teve de ser, madura na gestão e letal nas transições.
Lookman não podia ter pedido melhor estreia. Golo, assistência, desequilíbrio constante e impacto direto no plano ofensivo. Dá ao Atlético algo que nem sempre tem: velocidade vertical com drible associado.
Griezmann voltou a ser o cérebro competitivo da equipa. Participa, cria, decide e aparece nos momentos certos.
Para o Betis, fica uma lição dura. A coragem inicial foi louvável, mas a gestão de profundidade foi má. Linha demasiado subida contra um adversário feito para atacar espaço acabou por acelerar a própria queda.
Eliminatória resolvida sem discussão e um Atlético de Madrid que segue para defrontar o Athletic Club com moral reforçada, talvez no melhor momento anímico das últimas semanas.

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