Neste Real Madrid vs Elche analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Real Madrid entrava em campo no Bernabéu com uma missão clara: vencer para encurtar a distância para o Barcelona, líder da liga. Depois da noite memorável na Champions contra o Manchester City, havia também curiosidade para perceber se aquela exibição tinha sido um ponto de viragem ou apenas um momento isolado numa temporada irregular.
Do outro lado estava o Elche CF, equipa que luta para não descer e que chegava com números muito preocupantes, sobretudo fora de casa. Ainda assim, o início do jogo foi estranho. O Madrid parecia pouco interessado em acelerar e o Elche até teve mais bola do que se poderia imaginar.
A primeira situação minimamente perigosa apareceu cedo: André Silva apareceu sozinho na pequena área e cabeceou para a malha lateral. O lance provavelmente seria anulado por fora de jogo na origem, mas mesmo assim mostrou uma certa passividade defensiva do Madrid.
Durante largos minutos o jogo foi lento, com pouca criatividade e quase nenhuma oportunidade clara. Para uma equipa que precisava de ganhar e pressionar o líder, o Madrid parecia demasiado confortável num ritmo baixo.
O jogo só acordou perto do intervalo. Aos 39 minutos, num lance de bola parada, Valverde rematou forte de livre, o guarda-redes defendeu, a bola foi afastada de forma curta e Rüdiger apareceu para finalizar de primeira e fazer o 1-0.
Pouco depois veio o momento mais bonito da primeira parte. Aos 44 minutos, Valverde recebeu na entrada da área, teve tempo e espaço para pensar, fez um fake shot elegante, puxou a bola para o pé direito e colocou-a no canto da baliza. Um golo de enorme qualidade técnica que confirmou o grande momento de forma do uruguaio.
Mesmo assim, a sensação ao intervalo era curiosa: o Madrid estava a ganhar com justiça, mas sem precisar de fazer grande coisa.
Na segunda parte o cenário manteve-se relativamente parecido. O Elche continuou a ter fases com mais posse, algo que pode parecer estranho quando se joga no Bernabéu, mas que também mostrava que o Madrid estava confortável em controlar o jogo sem grandes riscos.
Logo no início, Brahim Díaz teve uma grande oportunidade após um lançamento longo, mas isolado perante o guarda-redes falhou completamente o alvo. Com o jogo relativamente controlado, o treinador decidiu gerir esforços e retirou Valverde, Vinícius Júnior e Tchouaméni pouco antes da hora de jogo, claramente a pensar na segunda mão europeia.
Ainda assim, o terceiro golo apareceu aos 66 minutos. Yáñez cruzou bem pela direita e Dean Huijsen apareceu completamente livre na área para cabecear e fazer o 3-0. Um lance que mostrou mais falha defensiva do Elche do que propriamente grande construção ofensiva.
Quando tudo parecia resolvido, o jogo teve um momento caótico aos 85 minutos. Eduardo Camavinga perdeu a bola perto da própria área, Rafa Mir participou na jogada e o lance acabou num auto-golo de Ángel Morán.
Aos 89 minutos, Arda Güler recuperou a bola ainda no meio-campo defensivo e arriscou um remate fortíssimo de muito longe. A bola entrou com o guarda-redes completamente fora de posição, fechando o resultado em 4-1.
Pós-jogo
O resultado final parece confortável, mas o jogo contou uma história um pouco diferente. Durante muitos minutos, o Real Madrid jogou num ritmo bastante baixo e permitiu que o Elche tivesse períodos longos de posse de bola.
Claro que também é verdade que o Madrid nunca pareceu realmente em perigo. Quando precisou acelerar, marcou, e quando teve momentos individuais de qualidade resolveu o jogo sem grande drama.
Valverde continua a viver uma fase absolutamente impressionante.
No fundo, foi uma vitória lógica, sem um grande brilho coletivo, mas suficiente para manter a pressão na luta pelo título.

