Neste Real Madrid vs Getafe analiso os principais momentos táticos, desempenhos individuais e pontos de viragem da partida.
O Santiago Bernabéu entrou na noite com contas simples e pressão máxima. O Real Madrid sabia que vencer significava voltar a colar-se ao topo, ficar a um ponto do Barcelona e apagar a imagem da derrota amarga da jornada anterior. Sem Mbappé, mas com um Vinícius em estado de graça, a expectativa era de domínio claro contra um Getafe pragmático, de poucos golos e ainda menos riscos.
O que se viu foi domínio… mas não controlo. Desde cedo ficou claro o plano do Getafe: bloco baixíssimo, cinco defesas, linhas coladas, quase um 5-4-1 que se transformava num 6-3-1 sempre que a bola entrava nos corredores. Compactos, disciplinados e pacientes.
O Real tinha posse esmagadora, trocava a bola no meio-campo ofensivo, mas era tudo muito previsível. Cruzamentos forçados, pouca mobilidade interior, pouca surpresa coletiva. Havia rasgos individuais: Vini Jr a ganhar faltas, Arda Güler a sacar uma roleta deliciosa e a testar David Soria, mas faltava coordenação e faltava jogo entrelinhas.
A grande oportunidade da primeira parte cai nos pés de Vinícius ainda cedo. Fica cara a cara com Soria e falha de forma pouco habitual.
O Getafe praticamente não tinha bola, mas tinha clareza quando a recuperava. Não precisava de muito. E no minuto 39 acontece o golpe. Cruzamento pela direita, confusão aérea, bola mal aliviada e, de fora da área, Satriano acerta uma voleio absolutamente limpo, que vai ao ângulo. Um daqueles remates que não pedem licença.
O Real vai para o intervalo com quase 80% de posse, mais passes no meio-campo ofensivo do que o adversário teve no jogo inteiro e a perder, o que diz muito. Na segunda parte, o cenário intensifica-se. O treinador do Getafe pede linhas ainda mais juntas, mais proximidade, menos espaço entre setores.
Rüdiger quase complica ao perder bola na própria área, Courtois resolve. Do outro lado, Soria começa a assumir protagonismo. Defende cruzamentos tensos, segura remates frontais, mantém a equipa viva. O Madrid empurra, empurra, mas a sensação é de ansiedade. Falta paciência para desmontar o bloco e falta precisão no último gesto.
Há também polémica. Um amarelo a Tchouaméni num corte limpo gera revolta, o jogo aquece e as reclamações multiplicam-se. Mastantuono entra para dar frescura, cria uma das melhores oportunidades no final, mas encontra novamente Soria.
Nos minutos finais já não há organização, há desespero. O Getafe mete mais um central, fecha-se com tudo o que tem. O Real insiste em cruzamentos, mas muitos deles mal medidos. E quando a frustração substitui a lucidez, começam as expulsões. Mastantuono vê o segundo amarelo após reclamações constantes. Pouco depois, Liso também é expulso por atirar a bola para longe.
Pós-jogo
Derrota pesada. Não apenas pelos três pontos perdidos, mas pela forma. O Real Madrid dominou estatisticamente, teve posse esmagadora e viveu quase sempre no meio-campo adversário, mas foi previsível, pouco criativo e excessivamente dependente de ações individuais.
O Getafe fez exatamente o que tinha que fazer: organização máxima, linhas juntas, poucas aventuras e eficácia no momento certo. Marcou no único remate enquadrado que teve na primeira parte e depois defendeu com disciplina quase militar.
O campeonato não está perdido, mas noites assim mostram que dominar não chega. Contra blocos baixos é preciso mais do que cruzamentos e talento isolado.

