Valencia 0 – 2 Real Madrid

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A deslocação do Real Madrid a Mestalla tinha pouco de ambíguo no contexto. Depois da vitória do Barcelona no dia anterior, a margem de erro era praticamente nula. Era um daqueles jogos em que o resultado interessa mais que a exibição… mas onde a exibição acaba sempre por dizer muito sobre o momento da equipa. O Valencia, fiel à sua realidade atual, montou um plano de sobrevivência. Sem bola jogavam num 5-4-1.

O Real Madrid teve bola desde o início, mas uma posse lenta, previsível, quase protocolar. Circulação entre centrais, passes horizontais, pouca rutura e ainda menos presença entre linhas. A ausência de Vini Jr, Bellingham e Rodrygo retirava criatividade, imprevisibilidade e capacidade de aceleração em zonas interiores.

Curiosamente, quem deixou melhor sensação competitiva na primeira parte foi o Valencia. Não por criar muito volume ofensivo, mas porque sempre que recuperava bola conseguia sair com critério e chegar ao meio-campo merengue sem grande resistência. Faltava qualidade no último passe ou na finalização, mas a equipa mostrava-se confortável dentro do seu plano.

O Real Madrid até ameaçou em alguns momentos com remates de meia distância, uma ou outra iniciativa individual, mas nada que verdadeiramente desse a sensação de golo iminente.

O jogo caminhava para aquele território perigoso onde o favorito começa a jogar contra o relógio… até que a qualidade individual resolveu intervir.

Aos 65 minutos, num ataque posicional aparentemente controlado pelo Valencia, a bola chega a Álvaro Carreras na esquerda. O lateral progride para dentro, passa por vários adversários (com alguma felicidade nos ressaltos) e remata ao poste mais próximo para fazer o 0-1. Um lance mais de insistência, coragem e talento individual do que propriamente de construção coletiva, mas que desbloqueia totalmente o jogo.

O golo obrigou o Valencia a mexer na sua própria natureza. Subiu linhas, arriscou mais, tentou pressionar mais alto e aí começou a deixar espaços que antes não existiam. Ainda assim, teve o momento do jogo para empatar: Beltrán aparece sozinho na área, estica-se para finalizar e a bola passa muito perto do poste. Era o 1-1 que podia ter mudado o rumo emocional da partida.

Com o Valencia mais exposto, o Real Madrid passou a encontrar aquilo que não tinha tido durante mais de uma hora: campo para correr. Mbappé começou a aparecer em transição, Brahim dava mobilidade e o jogo ficou mais partido. Mesmo assim, o 0-1 mantinha tudo em aberto até aos descontos.

Foi já nos 90+1’ que o Madrid matou definitivamente a partida. Huijsen lança longo, Brahim Díaz ganha profundidade e assiste para Mbappé que, sozinho na área, só tem de encostar para o 0-2. Um golo simples na execução, mas que fecha de vez o jogo.

Pós-jogo

Vitória importante do Real Madrid, mas longe de ser tranquilizadora em termos de exibição. Durante mais de uma hora a equipa mostrou dificuldades claras para desmontar um bloco baixo, com pouca criatividade entre linhas e dependência excessiva de ações individuais. A ausência das principais peças ofensivas também pesou na fluidez do jogo.
Carreras desbloqueou um jogo que estava preso e Mbappé, mesmo num jogo discreto para os seus padrões, voltou a aparecer para fechar as contas, o que é um reflexo de uma temporada onde decide mesmo quando não brilha.
Do lado do Valencia, o plano foi bem executado durante largos períodos. Competiram, fecharam espaços e mantiveram o jogo vivo. Mas, como acontece tantas vezes contra equipas deste nível, falharam no detalhe: na finalização, na decisão e na capacidade de resistir depois de sofrer.
O Real Madrid soma 3 pontos obrigatórios e mantém a perseguição ao topo, mas a sensação que continua é clara: ganham o resultado, mas não ganham propriamente a confiança exibicional.


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