Mais uma vez o futebol sai das quatro linhas e mais uma vez da pior forma: racismo.
No jogo entre o Sunderland e o Tottenham, o lance envolvendo Brobbey, Romero e Kinský acabou por marcar o jogo. Era um lance completamente controlado, o Romero estava a proteger a bola para o guarda-redes agarrar sem problema e, sem necessidade nenhuma, o Brobbey empurra-o, causando uma situação perigosa. O resultado foi pesado: o Romero sai lesionado e a chorar (péssimo sinal a poucos meses de um Mundial) e o Kinský fica a sangrar da cabeça.
Na minha opinião, isto era lance para expulsão. Não só por este momento, mas pelo contexto de um jogo já de si demasiado agressivo. Há limites para o físico e para a intensidade, e aqui ultrapassaram-se.
Mas até aqui, estamos a falar de futebol. Decisões, erros, intensidade que fazem parte. O problema começa depois.
Acaba o jogo e começa o espetáculo triste de sempre: insultos racistas nas redes sociais. E é impossível não questionar: porquê? Porque é que se passa de um lance de jogo, criticável claro, para atacar uma pessoa pela cor da pele? Desde quando é que isso faz sentido?
O Brobbey esteve mal? Esteve. O lance foi desnecessário e deveria ter consequências dentro do futebol, seja suspensão ou outro tipo de castigo. Mas isso alguma vez justifica ir para as redes sociais chamar-lhe “macaco” ou encher o telemóvel dele de insultos? Não. Nunca.
Isto já nem é só futebol, é um problema cultural e estrutural. A internet virou um espaço onde muita gente acha que pode dizer tudo sem qualquer consequência. Um circo de opiniões, frustrações e ódio gratuito. E o mais grave é que isto não é novo nem isolado.
Hoje é o Brobbey, ontem foi o Vinícius Je, outras vezes é o Mbappé e vai continuar a ser. Basta um momento, uma atitude, um erro, e aparece logo o racismo como resposta. Como se fosse algo “normal”.
O exemplo do Vini Jr é perfeito: marca, dança, provoca dentro do jogo e isso faz parte do futebol. Pode não agradar a todos, mas está no contexto competitivo. Agora, a resposta a isso ser racismo? Isso já não é futebol, é pura falta de caráter.
Conclusão
Nada, absolutamente nada, justifica racismo. O problema é que muita gente ainda acha que pode dizer o que quiser, especialmente atrás de um ecrã. E enquanto isso continuar, estes casos vão continuar a aparecer.
Mas aceitar isso nunca pode ser opção. Porque é exatamente isso que essas “pessoas” querem: normalizar o inaceitável.
